O mercado fechou sexta-feira em 303,75 centavos, base Setembro, contra sexta-feira retrasada em 315,05 centavos. Pós danos considerados mínimos da última frente fria, o mercado voltou a testar suportes, e os Fundos pausadamente diminuindo as posições compradas. A realidade é que fica cada vez mais difícil que possamos voltar a atingir as máximas acima de 400 centavos novamente, a não ser que realmente tenhamos uma frente fria com danos significativos ou uma péssima florada. Da mesma maneira que o “mercado“ começou a precificar um alto risco de falta de café com as secas no Brasil, Vietnã e Indonésia, o “mercado” agora começa a precificar safras boas nestes mesmos países. Mesmo na Colômbia onde o USDA acredita que as chuvas em excesso possam prejudicar a safra, fontes locais indicam que isto não vai ocorrer. Os preços altos começam também a surtir efeitos na África, com Uganda e Etiópia com safras recorde. Se olharmos friamente os números, o Brasil continuou exportando bem. Segundo dados do CECAFÉ, entre Jul/24 e Jun/25 exportamos basicamente 45 milhões de sacas, sendo somente menor que o recorde de 23-24 onde exportamos pouco mais de 47 milhões de sacas. O veredito sobre a safra atual ainda está a vir, mas muitos no mercado começam a acreditar que o número de 40 milhões de Arábica, ou até um pouco mais seja factível. Em teoria, um número de exportação menor de Brasil pode ser suprido por outras origens, em especial por Robusta. Olhando o valor da arbitragem entre NY e Londres, até o momento isto não ocorreu, até sem muita surpresa pelos bons embarques de Brasil (além de Colômbia e Centrais), e pela resistência das empresas de voltar a aumentar o Robusta nos blends. Claro… tudo isto temperado pelo que estará acontecendo durante a próxima florada Brasil. Se a florada Brasil for boa, com promessa de números perto de 80 milhões de sacas, a arbitragem sim vai fechar… mas vai fechar com a queda de NY. Demanda: o USDA indica que a demanda continua crescendo, principalmente Oriente Médio e Ásia. O Rabobank, por outro lado, indica queda pequena de demanda global devido aos altos preços. Muito difícil avaliar, pois números de Oriente Médio e Ásia, além de não confiáveis, são difíceis de obter. Se olharmos dados de Brasil, EUA e UE, com boa vontade os números devem estar perto de zero crescimento. Os estoques mundiais segundo o USDA aumentaram um pouco, porém ainda em patamares baixos. Esta ótica também pode ter um certo viés. Desde a safra 22/23 os estoques estão em teoria baixos, mas temos que considerar o aumento significativo do custo financeiro (globalmente em geral) neste período, bem como a inversão do mercado. O que era baixo antes, hoje pode ser percebido como normal pela maioria no mercado. No macro, o Dólar não ajudou muito a segurar o mercado. Com o cessar fogo entre Irã e Israel, o Petróleo voltou a cair, e junto com ele o Dólar. Nenhuma supresa nos dados da economia americana, que continua a mostrar uma leve desaceleração, e uma inflação contida até o momento. O FED, pelas ultima entrevistas, aguarda ainda o desfecho do assunto tarifário, porém aumentaram bastante as expectativas de 2 a 3 cortes de juros ainda este ano. O prazo da Casa Branca para acordos tarifários acabam dia 9 de Julho. Vários rumores na sexta-feira, que a base de um acordo com a China estaria pronto, bem como com a Índia também. Veremos… A semana é curta com o feriado de 4 de Julho. Por aqui, o governo vai entrar na justiça contra o legislativo pela derrubada do pacotão do IOF. Basicamente, a eleição de 2026 começou. A posição do judiciário no tema vai começar a nos dar qual vai ser a temperatura já na largada. O mercado até agora está tendo a tendência de preficicar uma derrota de Lula, com o Real se valorizando (fora os temas nos EUA), porém se o judiciário tiver o viés de proteger o atual governante, podemos ter um mercado bem mais nervoso, e uma reversão na questão do Dólar, mesmo porque a direita ainda não definiu quem vai entrar no ringue.A probabilidade de Bolsonaro ser condenado e ir para uma prisão domiciliar e estar inelegível é de 99%… quem vai ficar com o bastão? Nunca podemos subjulgar a capacidade da esquerda, de virar o jogo. O Brasil não pode bobear. O Banco Mundial em relatório, mostrou que o Brasil precisa de um ajuste fiscal de 3% do PIB para equalizar a dívida pública. A herança é negra. O IGPM está tendo uma redução até maior do que o esperado em Junho, o que se confirmando, deve sustentar que o ciclo de subida dos juros básicos deve ter encerrado. Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego continua baixa, com recorde de números de trabalhadores com carteira assinada. Vale lembrar que, nos dados não estão inclusos trabalhadores que não estão mais procurando emprego e tampouco os que estão em bolsa familia ou outros auxílios assistidos. Aí o número não fica tão bonito assim certo?… Para quem quer saber se dá ou não para cortar gastos no governo, Elon Musk devia tomar umas aulas com Javier Millei. Até a última semana, Millei já cortou mais de 50 mil cargos públicos, com uma possível economia de US$2 bilhões anuais. E a Argentina não parou. Devemos começar a considerar o Dólar na neutralidade na casa dos R$5,50 e NY a continuar a testar suportes, agora abaixo dos 300 centavos. Do ponto de vista técnico e de demanda, o cenário no curto prazo continua fraco. Curto prazo. O inverno ainda não acabou, a florada ainda está por vir e o tamanho da safra atual ainda é dúvida. Mas não se esqueçam, com tudo isto na balança, o mercado já está sob pressão. Boa semana a todos ! *Joseph Reiner*