O mercado fechou sexta-feira em 379,95 centavos base Maio, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 391,40 centavos. Vinha de certa forma, andando de lado com volumes módicos, deu uma realizada na quinta-feira com um volume um pouco maior. Tecnicamente temos um suporte perto dos 374 centavos, e caso o mercado ceda abaixo destes níveis poderemos uma queda ate os 334 centavos. Possível é, mas o mais provável no momento é mantermos o canal de 374 até 414 centavos. Os estoques certificados tiveram pouca variação durante a semana.O mercado continua variando em cima de clima e de perspectiva de demanda, enquanto transitamos com baixos estoques. Próxima semana deveremos ter chuvas nas regiões produtoras, e por outro lado também a chegada de uma frente fria que vai nos lembrar que o inverno está chegando. Segundo alguns meteorologistas, teremos um Abril e Maio com temperaturas mais frias que o normal. Interessante notar que o inverso do Robusta está “desenrolando“. Ainda não paga o carrego, mas com maiores volumes do que o esperado, saindo da África, e a safra Brasil de 25-27 milhões de Conilon batendo na porta, o mercado vem ajustando. A arbitragem contra NY continua na faixa de 130-140 centavos. No Vietnã, mesmo com menos de 30% da safra na mão do produtor, o diferencial do exportável voltou a ficar na casa dos -100. O Conilon está chegando. O quanto ele vai ficar competitivo na exportação em muito vai depender do apetite do mercado interno, mas eu diria que a previsão é de boa demanda. Várias notícias no mercado sobre a continua “briga“ entre supermercados e torradores. Dificilmente os supermercados vão conseguir o não aumento que pretendem, mesmo em países onde as marcas próprias são muito fortes. Eles sabem muito bem que baixar a qualidade em marcas próprias é um grande tiro no pé, se essa for a estratégia para manter o tráfego nas gôndolas de café. Os torradores por seu lado mostram claramente a preocupação com caixa e rentabilidade, mesmo com faturamentos em alta. Muita incerteza ainda pela frente para ser agressivo. Isto sem contar com os fatores macroeconômicos. Os últimos dados que temos das grandes torradoras são do 4° trimestrede 2024. Infelizmente somente quando os relatórios do 1° trimestre de 2025 começarem a a sair é que teremos uma ideia melhor sobre queda ou não da demanda em geral. Apesar de tudo, continuo otimista quando a demanda no longo prazo. Estes choques de oferta são normais em commodities, e o mercado de café no final das contas tem mostrado muita resiliência e criatividade ao longo dos anos, para rapidamente se recuperar. Estava lendo um artigo interessante sobre nosso mercado e o futuro. Só na Inglaterra, que era tradicional pais tomador de chá, os coffee shops cresceram mais de 1.800% em pouco mais de 20 anos, e quem esperava que neste período a China fosse ter mais coffee shops que os EUA???. Hoje não precisamos mais de dinheiro no bolso para tomar um café, e já podemos fazer o pedido antecipado via apps. A tecnologia vem sendo usada de maneira exemplar no café. Não podemos esquecer que os Chineses começaram a entrar no Starbucks porque era o único local com ar condicionado e internet grátis a 25 anos atrás. Em muitos países estamos muito perto de receber nosso café.em qualquer lugar via drones. Na Irlanda, isto já é uma realidade. E empresa Manna Drone Delivery já realizou mais de 170 mil entregas sem derrubar uma gota. Segundo a empresa, o café perde cerca de 2 graus em média por entrega, e os coffee shops já adaptaram com IA a torra e temperatura para que o café chegue sem perder temperatura e nem qualidade. A Luckin Coffee já usa telemetria e reconhecimento fácil para que o seu “latte” venha igualzinho e como você gosta em qualquer loja que você faça o pedido. Até 2050 a população mundial deve chegar bem perto dos 10 bilhões de habitantes. O consumo deve continuar impulsionado por novas tecnologias e criatividade do setor. De onde vai vir toda a produção começa a ser o desafio??Clima, mão de obra, competição de outras culturas serão desafios cada vez maiores. No macro, se nem o FED americano consegue cravar um direcionamento, muito menos nós aqui. O índice de confiança do consumidor americano chegou no ponto mais baixo em vários meses, e o impacto das tarifas e seus valores e métodos de implementação ainda mudam dia a dia. Tarifas e inflação preocupam o mercado. Dia 2 agora, o governo americano prentende soltar uma nova batelada de tarifas. Os economistas são quase unânimes, que isto terá um impacto inflacionário. Também sugerem que o impacto de receitas será quase metade do previsto, e que o volume de investimentos e criação de empregos na verdade poderá não ser nem perto do esperado. Com uma média de tributação de 21% para a PJ, e o advento de trazer as cadeias de supply chain mais perto dos EUA, os investimentos estavam acontecendo de qualquer maneira. Outro impacto negativo pode ser a retaliação sobre empresas americanas que exportam.As notas de tesouro de 10 anos continuam firme na faixa de 4,3%. O déficit americano continua preocupante, até que o DOGE resolva o problema, e os grandes problemas são de difícil solução. O mecanismo de gastos é forte! Apesar de Musk acreditar que vai conseguir reduzir as despesas em US$1 trilhão de dólares (eram 2…já baixou para 1), até agora no 1° trimestre o governo americano gastou 7,4% a mais contra o mesmo período no ano passado. Obviamente, vários contratos cancelados terão um efeito caixa mais para frente no ano. Veremos. No curto prazo tarifas tendem a fortalecer o Dólar. Por aqui, o IPCA-15 veio em 0,64% contra um expectativa de mercado de 0,68%. Podemos olhar como um copo meio cheio ou meio vazio. Realmente subiu menos que o esperado, mas subiu. Alimentos, higiene & saude, aluguéis continuam a pressionando a inflação. A convergência para a meta de inflação continua muito distante, e apesar do BC ter dado sinais mais “brandos“, o entre linhas continua indicando juros chegando aos 15% ou mais. O impacto no crédito rural não será pequeno. Segundo a ex Ministra Teresa Cristina, os recursos aprovados no orçamento, com os juros atuais, devem ficar menores do que foi financiado em 2024. Quando o governo enviou ao congresso o orçamento do plano safra a SELIC era 10,5%, e a equalização do montante era de $15 bilhões. Com 15%… A maioria das projeções projetam o PIB entre 1,9 e 2,5%. No mais,.o déficit primário continua a aumentar. O Dólar fechou perto dos R$5,76, ainda sem um direcionamento definido. A entrada de dólares na bolsa tem sido positiva, até pelo porque ativos brasileiros estão “baratos“, e como sempre, vale a pena o risco de curto prazo para um spread de juros de 10%. O mercado atingiu um recorde histórico de preço na perspectiva que as intempéries climáticas no Brasil e no Vietnã principalmente, trariam uma forte restrição na oferta global de café. Mais crítico ainda considerando os níveis baixos dos estoques globais. Isto ainda não ocorreu. Ainda poderá ocorrer? Sem dúvida poderá… é agricultura… sempre teremos surpresas . Mas talvez a turma do USDA não estivesse tão “por fora” assim. Boa semana a todos!*Joseph Reiner*