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Mercado Físico 10 de maio, 2026· 5 min de leitura

Café MCT | Matias Coffee Trading — A safra já está na “curva”

Arábica rompe suporte e mercado se posiciona na curva

· 5 min
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Matias Coffee Trading · Inteligência de mercado

O Arábica perdeu força e rompeu suporte importante nessa semana, ele saiu da lateralização e trabalha abaixo do suporte forte que estava segurando o preço na bolsa. Correção de preço ou mudança de comportamento?

Na Bolsa de Nova York para o Arábica, o contrato Julho/26 fechou a 274,80 c/lb. O indicador CEPEA/ESALQ do arábica caiu para R$ 1.669,93/saca. No robusta, os preços também cederam, caiu para R$ 912,99/sc. O mercado chega aos menores níveis nominais de 2026.

O dólar fechou a semana em R$ 4,894, mais fraco segue pressionando o preço interno para baixo, mesmo quando a bolsa tenta alguma reação.

O ponto mais interessante não está no preço, está na curva. Os vencimentos próximos continuam negociando acima dos contratos mais longos. O café disponível hoje ainda carrega valor maior do que o café que será entregue mais à frente. Não é porque falta café no mundo, mas porque o fluxo ainda não chegou com força suficiente.

Os fundos mais que dobraram sua posição líquida de março/2026 até hoje, mas ainda muito longe da posição do ano passado. O comportamento indica atuação maior em diferença entre vencimentos (spreads), explorando a curva de preços em vez de apostar em direção.

A origem também mudou de postura. Exportadores e cooperativas passaram a atuar de forma mais agressiva nas vendas futuras via diferencial com preço a ser fixado. Isso permite avançar nas vendas sem necessidade de fixação imediata na bolsa, transferindo o risco de preço ao longo do tempo. Na prática a oferta já começa a aparecer antes mesmo do café entrar fisicamente no mercado.

Esse fluxo antecipado somado à entrada efetiva da safra nas próximas semanas desloca o equilíbrio e o mercado deixa de depender apenas do aperto no disponível e passa a lidar com um volume crescente sendo construído na curva futura.

Com a entrada da safra e o avanço dessas vendas futuras, o risco de pressão baixista no curto prazo aumenta de forma relevante. Diferenciais vêm se ajustando rapidamente para níveis mais próximos da normalidade conhecida.

Ou o curto prazo cede com a entrada de fluxo físico, ou o mercado volta a incorporar risco e ajusta a curva para cima. O comportamento tende a ser mais técnico para os próximos vencimentos.

Há ainda o risco no radar, sempre tem, principalmente climático, com a possibilidade de El Niño no segundo semestre. Ele não impacta a safra atual, mas impede que o mercado fique confortável demais para operar.

O Brasil consumiu e exportou cerca de 52 milhões de sacas de Julho/2025 até Maio/2026, ano safra 25/26. Não faltou café e pelo visto não faltará café tão cedo.

Boa semana, Gustavo Matias — MCT | Matias Coffee Trading.

Publicado em 10 de maio, 2026