O mercado fechou sexta feira em 215,10 centavos, uma baixa de cerca de 13 centavos frente sexta-feira retrasada.

Perante nossa última conversa no dia 03 não tivemos nenhuma mudança significativa no macro. Eu diria que é quase certo o aumento de 75 pontos percentuais no juros americanos (alguns mais radicais indicam a chance de 100 pontos), e a própria bolsa de valores esta semana já refletiu isto, com os índices inflacionários nos EUA indicando que a inflação ainda é persistente, principalmente alimentos.

O mesmo cenário está seguindo a Europa… eles ainda mais com o custo de energia.

O cenário câmbio continua bem incerto frente ao Real. Apesar dos indices econômicos brasileiros & a média global serem surpreendentes, o fator eleição e guerra ainda estão pesando para uma sustentação da moeda americana.

Errei feio ao imaginar que a guerra teria um desfecho rápido (com a Ucrânia sucumbindo militarmente ou a Rússia economicamente), mas o cenário continua mostrando muitas incertezas e um risco ainda maior da Rússia (Putin) partir para alguma ação desesperada perante as sucessivas humilhações militares e o aumento do questionamento interno.

No curto prazo o dólar deve manter o suporte.

Nos fundamentos, os estoques GCA voltaram a subir 226 mil sacas, para 6,45 milhões de sacas. Os maiores aumentos foram em São Francisco e NY, regiões onde também estão/estavam os maiores gargalos e atrasos logísticos. Também indica a sazonalidade de consumo devido ao verão, mas também acredito, indica um certo arrefecimento da demanda (mesmo ajustando para a sazonalidade).

Quando o maior torrador americano indica uma queda de 14% de volume/mix em seu último relatório a investidores, devemos ficar atentos, por mais que café historicamente mostre uma boa inelasticidade de preços, a pancada inflacionária de alimentos para eles está sendo bem forte.

Por outro lado as chuvas começam a voltar para as regiões cafeeiras, por enquanto com volumes pequenos. A SOMAR indica que teremos volumes maiores e mais constantes  a partir de Outubro. Rezo que estejam certos, pois também o NOAA americano indicou a presença do “efeito triplo La Niña” até o início de 2023, o que eventualmente pode trazer efeitos erráticos nas chuvas para o sudeste e sul brasileiro.

As exportações brasileiras em Agosto foram de 2,76 milhões de sacas. A média dos últimos 5 anos foi de 3,21 milhões de sacas em agosto… ou seja, cerca de 500 mil sacas a menor. Em Julho os embarques já tinham ficado cerca de 400 mil sacas abaixo de média de 5 anos. O inverso Dec-Mar acima dos 5 centavos mostram bem a confiança que o mercado está, de que os embarques vão melhorar…

Perante outras commodities, o Café até que tem se segurado bem no seu canal mais amplo.

O mercado começa a admitir que temos um problema sério de oferta Brasil até meados do ano que vem, e que não pode ser substituído por outras origens, a não ser que a demanda realmente sofra uma queda muito forte (acredito que pouco provável, mas…).

Chuvas & florada… a chave… sem querer ser repetitivo mas, um problema na perspectiva da safra Brasil 23/24… aí sim, vamos ver a demanda caindo pela explosão de preços.

Uma boa florada e a perspectiva de boa safra Arábica do Brasil, e quem vai querer carregar café contra um inverso?

Deixa o tanque chegar na reserva e rezar para uma “banguela” no consumo para chegar em 23…

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.