O mercado fechou sexta-feira em 220,45 centavos base dezembro, com uma melhora de cerca de 5 centavos base fechamento de sexta-feira retrasada.
No macro, conforme as previsões, o FED americano subiu a taxa básica de juros em 75 pontos. O discurso continua francamente mais agressivo no sentido de combate à inflação o que sugere um possível novo aumento de 75 pontos percentuais. Juntando isto aos efeitos contínuos da guerra na Ucrânia e os efeitos da própria inflação no consumo, começamos a cada vez mais observar comentários, não mais de que se teremos uma recessão, e sim, se ela será leve ou forte. A própria inversão também nas taxas de juros dos títulos americanos já indicam que o mercado projeta uma economia mais fraca em 2023.
Sabemos que, para commodities, as primeiras vítimas são energia e metais em um cenário econômico mais fraco, e que as commodities alimentícias (café entre elas) tem uma inelasticidade bem maior. Porém, não podemos deixar de ficar atentos, apesar de achar pouco provável que este cenário afete a demanda de café significativamente.
No ultimo relatório do RABOBANK podemos notar que em 2022, especialmente nos últimos 2-3 meses, café teve o maior incremento de preços entre vários segmentos de bebidas. Importante ressaltar que, na questão do torrado e moído, o preço do café tem um impacto “na veia” ao contrário de outros segmentos onde o COGS tem efeito também de embalagens/outros materiais. O próprio relatório indica que é esperado aumento de preços de outras categorias de bebidas agora no segundo semestre.
Tecnicamente o mercado de café continua trabalhando no canal que vai de 200 à cerca de 240 centavos. O inverso entre os meses de mercado continua forte, e os estoques certificados continuam a cair chegando a 485 mil sacas.
A nova safra da América Central começa a ser colhida nas altitudes mais baixas, bem como a Colombiana. Nada indica mudança nas previsões de safra, e mesmo o mercado esperando um alívio nos diferenciais destas origens, vários traders indicam até uma possível melhora nos Colombianos, mas não muito nos centrais. Ou seja, alguém está esperando avidamente o café brasileiro!!!
A próxima colheita de Robusta no Vietnam também está se aproximando. Os dados indicam que eles aproveitaram bem o ciclo de preços altos, com o café “saindo do mato“… E os torradores também!
As chuvas retornaram com mais intensidade esta semana. Não vou tecer nenhum comentário no momento, pois precisamos analisar quão positivo foi, e ainda qual a sequência de chuvas. Podemos sim dizer que no momento o pior cenário foi evitado.
O próprio relatório do RABOBANK indica que agora eles projetam um déficit de 1,3 milhões de sacas meste ciclo 22/23, com uma redução da estimativa do Brasil para 40 milhões.
Se várias outras estimativas estão agora convergindo para números de 35 milhões para baixo, podemos estar novamente olhando para um déficit de 7/8 milhões (seguido de algo similar no ciclo 21/22).
Tudo parece convergir para um cenário de continuidade de preços altos, e que o cenário de demanda estagnada + uma ótima florada para a safra Brasil em 23 seja pouco provável.
Pessoal: um olho no gato e outro no peixe!
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.