Não existe nada que está ruim que não possa piorar! O mercado na sexta-feira fechou em 151,30 centavos. Uma derrocada de quase 20 centavos perante sexta-feira retrasada, quando fechamos o Dezembro em 170,10 centavos.

Nada ou quase nada mudou no cenário macro nesta semana, tanto nas condições externas, como também na interna.
As últimas lambanças do novo governo fizeram as taxas de juros futuros subirem muito, deixando no momento, o BC quase sem espaço para reduzir as taxas de juros em 23. Péssima notícia para quem necessita de crédito para cuidar da sua lavoura, para investir em novos maquinários, e nem se fala para quem acha que ficar com café na mão é um bom negócio.

O Real continuou sua luta diária para não estourar a casa dos R$5,50, o que também continua não ajudando em nada o mercado.

As movimentações nos estoques certificados também foram mais calmas, fechando a semana em 484 mil sacas. O inverso se desmontou completamente, o que dá algum fôlego no Dezembro–Março para quem já perdeu bastante dinheiro carregando café no inverso Setembro-Dezembro.

Pelas notícias que temos, duas grandes tradings estavam oferecendo cafés com preços bem competitivos (bem abaixo da reposição) talvez seja uma mínima luz no final do túnel, onde se acredita que a situação de estoques vai ainda se apertar. Os estoques GCA (portos americanos) também mostraram uma pequena redução de 58 mil sacas, caindo para 6,23 milhões de sacas… nada que afete o mercado.

Os fundos continuaram a aumentar sua posição vendida e os torradores aproveitando e fixando. Ou seja pessoal, quase nada mudou na semana, a não ser o valor do café na bolsa de NY. Internamente, o mercado deu uma encurtada e os diferenciais começam a estreitar fortemente. Um excelente trader comentou comigo: “tá aí… esse é o inicio do furacão!!”
Eu falei que achava que o furacão já tinha passado, arrasando tudo de 2 centavos a 1,5 centavos. E que toda reconstrução, infelizmente costuma levar tempo.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.