O mercado fechou sexta-feira base dezembro, à 170,10 centavos & 175,75 centavos sexta-feira retrasada.
Tecnicamente o mercado perdeu muita força. Temos managed money (fundos) novamente vendidos no mercado… novas certificações entrando nos estoques (sejam recertificações ou “novo café“ a mensagem acaba sendo a mesma… falta mercado, falta financiamento… ou ambos); torradores aproveitando e fixando uma quantidade interessante e portando tirando a faca do pescoço.
Quando o macro lá fora começa a dar um alívio, com números de inflação mais brandos nos EUA, juros podendo subir 0,50 p.p. ao invés de 0,75 p.p. em Dezembro, o que poderia significar uma redução de atividade econômica e não uma recessão mais forte, maior atividade diplomática na guerra de Ucrânia… agora aqui dentro é que o caldo começa a entornar.
A última semana foi desastrosa para o próximo governo e, tanto o Real como a Bolsa, sentiram o golpe com a possibilidade de uma farra de gastos, além de nomes de notória baixa credibilidade para a equipe econômica de transição, sem falar em discursos pouco proveitosos no novo Presidente.
Se essa foi somente a “entradinha“ do novo menu político que está por vir, a coisa vai ser pior do que pensávamos. Nossa moeda mais fraca no médio prazo não é exatamente o que o mercado precisa.
Novos números na semana pareciam mais ordens de vendas do que qualquer outra coisa.
As exportações de Outubro somaram 3,4 milhões de sacas, apenas 3,2% abaixo em comparação ao mesmo período do ano passado (3,58 milhões). O acumulado janeiro a outubro também é muito similar… 32,294 milhões & 33,514 milhões. Pessoal, ou os números começam a cair, ou a turma lá fora vai continuar a apertar o botão de venda ou, na melhor das hipóteses, defendendo a posição.
Acontece que, também os novos relatórios de previsão de safra de alguns bancos, começam a mostrar a safra Brasil e quase 69 milhões de sacas, e isto significa mais de 46 milhões de Arábica, e consequente exportações acima de 40 milhões (descontando consumo interno e carrego de safra).
Alguns relatórios de tradings, apesar de ainda não citarem números, indicam não observar nenhum problema na florada, como vários técnicos e Agrônomos nos vem indicando. Uma queda do volume de exportações do Brasil no 1º semestre de 2023 pode ser muito tarde para observarmos uma reação no mercado quando a expectativa é de uma safra muito boa entrando em poucos meses.
Como já havíamos alertado a meses atrás, a florada Brasil iria ser a chave entre um mercado acima de 250 centavos, ou um mercado de 175 centavos e ainda invertido.
A safra da América Central e Colômbia já estão em andamento, e o Vietnam também esquentando as máquinas. Os diferenciais dos lavados cederam um pouco, e mesmo com a queda brutal praticamente não se moveram (também uma função do câmbio, principalmente na Colômbia).
O mercado obviamente está reagindo a um momento macro de incertezas, isto não tenhamos dúvida. Porém, os números não estão ajudando a corroborar uma safra pequena atual, e nem uma possível safra média no ano que vem. Precisamos uma virada em ambas as premissas.
Pessoal, precisamos mesmo uma redução de embarques e maiores certezas quando ao problema na florada .Quem esta vendido no momento nao tem nenhum incentivo em mudar a mão; e faz todo sentido no momento levar esta posição até o final de dezembro e fechar o livro azulzinho.
E nós no vermelho… de todos os lados!!
Boa semana à todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.