O mercado fechou sexta-feira em 158,15 centavos base Março, cerca de 4 centavos abaixo de sexta-feira retrasada, quando o fechamento foi 162,60 centavos.
Do ponto de vista técnico, o mercado continua se arrastando… e como parece uma opinião geral, fora alguma grande surpresa, quem tem as posições vendidas continua impelido a defendê-las.
Os estoques certificados continuam a subir, agora já beirando as 700 mil sacas.
No macro nenhuma novidade na semana. Ainda há dúvidas de quanto será o próximo aumento de juros do FED americano, e por aqui o mercado continua reagindo friamente a indicação de Fernando Haddad para Ministro da Economia. O toma lá dá cá para a aprovação da PEC dos gastos continua, agora com o julgamento pelo STF do mérito do orçamento secreto.
O mercado fica sem saber de quanto será o valor dos gastos extras, e com isto o dólar continua flutuando acima do $5,20 reais.
Internamente, se dezembro já é costumeiramente um mês curto de vendedores, o dezembro deste ano se mostra ainda mais retraído.
Se no universo paralelo de embarques seguidos acima de 3 milhões de sacas (aí uma mistura de compras spot / grandes volumes de cafes futuros recebidos / e algo de safra passada nos meses anteriores), no mercado da vida real, para o exportador que tem que cobrir embarques de vendas ainda não fixadas, o Natal não será muito bonito. Quem fixou pode, pelo menos só sofrer pela busca do volume e qualidade corretas.
Várias qualidades estão com diferencias positivos, o que torna o mercado interno brasileiro, na verdade, o “melhor“ pagador hoje em dia. O produtor não está feliz vendo os custos subirem (apesar de uma certa retração no valor dos fertilizantes) e os preços retraídos mais de 30% do seu pico, e o exportador menos ainda tendo que cobrir embarques ainda não fixados com perdas significativas. Para o diferencial brasileiro se “encaixar“ novamente, ou o mercado cede, ou NY sobe (e mesmo assim possivelmente o mercado interno vai reagir bem rapidamente). As janelas serão curtas…
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.