O mercado fechou nesta sexta-feira, base Março, à 164,40 centavos. Sexta-feira retrasada o mercado havia fechado a 158,15 centavos, e se não fosse a famosa sangria da sexta-feira teríamos ainda mais 7 centavos na conta positiva.
No curto prazo o mercado estava um pouco sobre vendido, então esta recuperação do mercado é técnica. NY necessita se manter acima dos 174 centavos para podermos buscar os níveis de 194/195 centavos, porém esta semana o mercado não conseguiu sustentar os níveis acima da faixa inicial.
A certificação de café em NY continua em um bom ritmo já chegando perto os estoques de 750 mil sacas, com um volume considerável ainda de mais de 400 mil sacas pendentes para certificação.
Os diferenciais na origem (inclusive o Brasil) continuam mostrando uma perda certificando cafés (bolsa sendo o comprador). Não posso saber exatamente a razão ou a estratégia, porém podemos inferir que uma parte seja financiamento (café é considerado um ativo de alta liquidez e que os bancos aceitam, sem problemas, como garantia), especialmente agora com a forte alta de juros. Outra razão, já que o trade estava entre a cruz e a espada, tendo um forte revés financeiro com a inversão em NY, somada a alta nas taxas de juros e os diferencias muito caros nos Arábicas… pelo menos colocando as fichas em certificações (fora o financeiro) zerou a conta no carrego devido ao mercado de NY ter desenrolado o inverso.
Mesmo passando meio despercebido esta semana, os estoques GCA (portos americanos) tiveram um pequeno aumento de 70 mil sacas para 6,39 milhões de sacas.
Do ponto de vista da posição dos fundos de curto prazo e especuladores, os embarques de Brasil e o aumento de certificações no momento, mostram que não existe razão para eles virarem a mão nas suas posições. Inclusive, talvez as dúvidas ainda sobre o real número da safra brasileira, somado à algumas dúvidas sobre queda ou não de demanda, ainda segurem eles a não aumentar a posição vendida.
É bom lembrar que, em 2018 esses fundos + specs chegaram a ter 100 mil lotes vendidos… ou seja, poderiam ainda dobrar a posição atual vendida e jogar este mercado para perto de 100 centavos.
Como na cesta de commodities (principal index usado é a Bloomberg) o café está subvalorizado perante as outras commodities, entre dezembro e janeiro os fundos indexados deverão fazer um rebalanceamento de suas posições (em teoria comprando mais café). Eles já têm uma posição comprada perto de 30 mil lotes, então a necessidade percentual pode não ser o suficiente para uma grande mudança no mercado.
O mercado interno continua bastante sem liquidez, e os diferenciais frente NY bastante apertados. Segundo traders, a demanda esta média, porém com muita resistência de pegar diferenciais atuais.
Na América Central, em média, estamos com 15-20% colhidos, um pouco atrasado devido as chuvas, ao contrário do Vietnam que segue firme com a tendência de terminar a colheita de 28 milhões de sacas antes do fim de janeiro.
Olhando a diferença de preços entre robusta e arábicos, faz todo sentido do mundo agora, torrar o máximo de um bom robusta.
A CONAB liberou mais um relatório de safra com pouquíssima mudança dos números da safra 22/23 de Arábica, mantendo o número entre 32-33 milhões de sacas. Mas os embarques…
Boa semana a todos!!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.