Começamos 2023 com o mercado fechando nesta última sexta-feira em 158,30 centavos base Março. Tecnicamente, com o volume reduzido de negócios no final de ano, e uma recompra de posições dos fundos, o mercado poderia ter rompido a resistência em torno dos 174/175 centavos e tocar nos os gatilhos técnicos de compras puxando o mercado mais acima. Minha opinião é que havia um razoável montante de ordens de fixação acima deste nível, porém com um bom empurrãozinho do câmbio, o mercado não resistiu a novas ordens de venda que entraram um pouco abaixo dos níveis de 174/175 centavos. Foi um quase. Pelo menos manteve os preços em reais.

A história do câmbio para 2023 não começa muito bem. Nenhuma supresa até agora do que iríamos/iremos passar.
Mais notícias aparecem sobre a queda da safra Colombiana para perto de 11 milhões de sacas, porém de certa forma, a notícia não é tão nova e já está fatorada no mercado… vis-à-vis o volume de café que o Brasil tem exportado para lá.

Falando de exportações brasileiras, o volume exportado em dezembro foi cerca 3,1 milhões de sacas. O número é relativamente alto se considerarmos que em dezembro sempre temos alguns atrasos devido às festas de final de ano… ou seja, continuamos exportando o equivalente acima de 3 milhões de sacas mês a mês.

O USDA reportou que prevê o Brasil exportando 36,6 milhões de sacas no ciclo 22/23, sendo os níveis mais baixos desde o ciclo 17/18. Isto mostra que o USDA acredita na queda do ritmo de exportações no 1° semestre de 23. Se isto não se comprovar, pelo menos em janeiro e fevereiro, o foco realmente começa a passar para o próxima safra, com mercado em passo de espera para entender se volta aos patamares acima de 200 centavos, ou simplesmente deixa a estrutura entre os meses sem carrego.
Pelo menos em termos de chuvas, até agora, um ano agrícola excelente e, do ponto de vista dos tratos culturais, as chuvas sequenciais até atrapalha muito o operacional. Mas não se pode reclamar de chuvas em excesso…

La fora, os estoques certificados continuam a aumentar, estando agora na casa de 850 mil sacas, com mais de 200 mil pendente para certificação. Logo estaremos novamente na casa de 1 milhão de sacas de estoques, mais um marco psicológico para o mercado.
Conversamos algumas vezes, de como a indústria tem se adaptado (e o consumidor também) a uma maior inserção de Robusta nos blends (uma mistura de uma melhora na tecnologia de torra como também a qualidade dos grãos). Em 2022 o Vietnam exportou quase 29 milhões de sacas, um aumento de 10% ano a ano. Só aí, se a analogia estiver correta. já vai parte do déficit previsto de Arábica.

Não observei nenhum dado relativamente novo sobre consumo. Temos um inverno forte nos USA e menos intenso na Europa. Dados de crescimento entre 1 e 1,5%, na minha opinião, continuam sendo os mais razoáveis para os cálculos de oferta e procura.
Com o contínuo aumento de consumo na categoria singles (capsulas e etc) e também no e-commerce, precisamos olhar tão atentamente os reports das empresas como os dados de gôndola.

A realidade é que começamos 2023 com o mercado de certa forma na defensiva.

Um bom 2023 a todos!!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.