O mercado fechou sexta-feira em 179,25 centavos base Maio, um pouco acima do fechamento de sexta-feira retrasada em 176,60 centavos. Continua preso em um canal de curto prazo e continua encontrando suporte perto dos 170 centavos.
Pelo que temos observado não existe grande movimentação em termos de novos posicionamentos dos fundos, que nos parecem estar levemente comprados.
Os cafés certificados tiveram uma redução em torno de 50 mil sacas nos últimos 30 dias, fechando a semana em 750 mil sacas.
Em termos gerais pessoal, o cenário não mudou muito.
Temos vários fatores que dão um suporte muito bom ao mercado:
● A estrutura continua invertida;
● Os diferencias continuam com o sinal de + na frente.. e não é um + pequeno não!;
● Queda de volume de exportação do Brasil nos últimos dois meses;
● O volume relativamente baixo do comércio interno no Brasil;
● A expectativa de uma super safra em 23/24 indo por água abaixo.
Por outro lado, temos uma situação macro bem volátil, que já era complicada com a ascendente curva de juros, e agora ficou mais volátil ainda com a instabilidade de vários bancos nos USA e EEUU.
A realocação de capital para “portos seguros“ é normal neste cenário, tanto que vemos também a curva de juros invertida nas notas do tesouro americano.
A procura foi forte, tanto que a remuneração de longo prazo está abaixo de 3,9%. Ou seja, aparentemente no curto e médio prazo ninguém está apostando muito em uma derrocada do mercado de café porém, com tamanha volatilidade na economia, a alocação de recursos para commodities com certeza sofre um bom enxugamento (para os fundos). Isto sem contar com o cenário local.
Vocês puderam observar na sexta-feira… quando o dólar pegou ordens de venda na casa dos R$5,30 e voltou para R$5,24, o mercado de café reagiu. A situação atual é bastante delicada… em 100 dias o governo não conseguiu fazer absolutamente nada e continua batendo cabeça em varias frentes.
No curtíssimo prazo, achar que um Real mais forte pode arrancar mais café do mato e vermos os diferenciais Brasil enfraquecerem, pode ser uma aposta perigosa para quem está olhando a safra nova chegar e louco para tacar o dedo no gatilho de vendas de exportação. Do outro para o produtor, caso isso ocorra, e as entregas futuras voltem acima do patamar de $1.250/$1.300 Reais, pode ser lucro pequeno, mas nunca matou ninguém!
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.