O mercado fechou sexta-feira em 170,50 centavos base Maio, ante um fechamento de 179,25 centavos de sexta-feira retrasada.
A semana poderia ter sido pior se não tivéssemos recompras técnicas ali na faixa de 167 centavos na sexta-feira para trazer o mercado de volta. O volume acabou sendo até razoável na sexta-feira, mas no geral continua ocorrendo bem pouca movimentação por parte dos fundos.
Mercado continua em compasso de espera ali no canal de 164 ate 192 centavos.

O Real também deu uma nova valorizada no final da semana, dando um suporte a NYC. O mercado deve ter se sentido aliviado com o novo arcabouço fiscal, que na verdade não passa de um desejo de novas receitas contra uma certeza de novas despesas. A bolsa de valores por aqui voltou a subir acima dos 100 mil pontos (o que hoje em dia já é motivo de comemoração), porém os volumes continuam baixos e “dindin” lá de fora bem ralinho.
Acertar uma estratégia no câmbio é uma tarefa inglória… minha sugestão continua manter a exposição zero para quem precisa fazer seus ACC’s.
Em geral nada de muita novidade para nos tirarmos deste canal no momento.

Os estoques certificados continuam em queda, chegando a 742 mil sacas. Todo café novo dos Centrais e Colômbia foram direto para o mercado, e os diferenciais continuam nos + 45 em diante em sua maioria. Por aqui o diferencial de um semi washed cedeu um pouco, mas continua com um “+” na frente, fora a dificuldade de gerar qualquer tipo de volume.

Até a safra nova Brasil entrar, vão continuar requentando a sopa contra um inverso. Com o Brasil possivelmente embarcando 3 milhões de sacas em Março (possivelmente 2,4 à 2,6 de Arábica), enfiar esses certificados em alguém vai continuar sendo outra luta para quem está com isto na mão.
Se NYC ainda não puxou até agora para voltar a encaixar os diferenciais em níveis históricos, porque o faria agora com a safra Brasil batendo a porta???

Em termos de oferta e procura, chama a atenção o comunicado da Cooxupé que estima a safra na sua região de atuação deve crescer 29%. Se pegarmos a mediana de estimativas em 22 contra a atual mediana de 23, a média geral fica um pouco abaixo, mas não foge muito.

Em termos de demanda, tivemos um interessante report da Illycafe que mostrou um crescimento de 19% em 2022 x 2021, com o maior crescimento em receita nos últimos 10 anos.
Mais impressionante ainda, é a melhoria no EBITDA em cerca de 10%, o que mostra uma melhora significativa na saúde financeira da empresa. Pelos comentários da CEO, as decisões de investimentos em e-commerce e B2B foram muito acertadas. Não divulgaram dados financeiros específicos sobre a operação no Brasil.
Também tivemos a Nestlé comentando em investimentos em novas máquinas e modelos no Brasil, já que o segmento de cápsulas e solúvel perdeu espaço para o torrado e moído no mercado, segundo a empresa (faz até sentido no quesito custo e inflação). Globalmente, a empresa destaca que vê uma queda geral na pressão de custos, porém não descarta novos aumentos este ano.

Cada um sabe onde arde o bolso… cada um sabe onde está o seu custo de produção. Um bom amigo produtor em São Paulo de mais de 15 mil sacas comentou comigo que nesta semana vendeu café futuro um pouco acima de $1.150 reais (neste ano a primeira venda). Me disse: ”consegui agora estimar meu custo em R$650/Sc para a safra 23/24. Adoraria vender a R$1.300/R$1.500 a saca, mas não vou mais ficar esperando esse mercado altamente influenciado por questões macroeconômicas e uma florada Brasil que promete ser muito boa. $500 Reias/saca está de bom tamanho”… Vai a dica para quem tem os custos de produção na unha!

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.