O mercado nesta sexta-feira fechou base Maio em 193,40 centavos, contra um fechamento de quinta-feira retrasada em 183,60 centavos. Uma ótima semana onde NY ficou centímetros ali dos 2 centavos, fechando acima da forte resistência perto de 192 centavos, o que tecnicamente é um sinal bem positivo.
Os volumes foram expressivos, mesmo considerando os switches do Maio para o Julho.

Tanto o macro como os fundamentos tiveram peso no suporte.
Nos USA dados mais fracos da economia e de desaceleração da inflação, elevaram novamente as apostas em um último aumento de 25 pontos em Maio e, a partir do último trimestre, uma possível redução dos juros. Isto, aliado à perspectiva da manutenção dos juros por aqui, pelo menos no médio prazo, jogaram a cotação da moeda americana a quase R$4,90. Isto tudo com o entendimento que o novo arcabouço fiscal deve ser aprovado no Congresso após a sua apresentação. Só na quarta e quinta-feira foram mais de US$1 bilhão entrando na bolsa e fundos de investimentos.

Dados positivos da economia Chinesa (bem acima da expectativa) também deram bom suporte para commodities. Ou seja, na semana o mundo se acalmou um pouco, e o capital especulativo saiu da toca novamente.
Ainda nos fundamentos:
● Menos embarques brasileiros no primeiro trimestre (-23%);
● Problemas na safra Colombiana;
● Dúvidas sobre a redução de área no Vietnam;
● A constatação da safra menor de Robusta na Indonésia.
● Tivemos um relatório que indica um aumento de consumo de café na Alemanha (com o aumento de consumo de grãos & moído);
● E por fim, números do IBGE que em relatório, indica uma safra de Arábica na casa de 38 milhões, potencialmente, levando a um déficit entre 5 e 10 milhões de sacas em termos globais, como já reportado para várias tradings.

O mercado continua com a sua estrutura invertida, os estoques de certificados continuam a cair (perto das 700 mil sacas), e os diferenciais de Brasil, Colômbia e Centrais, para as qualidades certificáveis, continuam acima da paridade (apesar que Centrais deram uma leve melhorada).

Voltamos a quase 2 centavos e ainda não foi suficiente para NY arrancar café do mato no curto/médio prazo. Por outro lado estamos vendo os diferenciais brasileiros ficando mais agressivos para o segundo semestre… e aí podemos ver a ação de dois ângulos distintos:… ou o exportador está esperando que o físico ceda com a entrada da safra, ou que NY suba pela falta da mesma.
Qualquer problema climático, seja frio ou seca, nos próximos meses vai jogar este mercado para cima, e mesmo assim o diferencial pode não se encaixar, como vem ocorrendo nestes últimos meses.

Já um inverno sem problemas e uma ótima florada… Nas sessões, quando o mercado foi abaixo de 170 e quase bateu 150 centavos, observamos a posição dos comerciais crescer bem. Em teor, o torrador fez uma boa cobertura nestes níveis, mesmo porque, com o mercado invertido é uma cobertura “custo zero”. Agora na puxada para perto dos 2 centavos, temos observado estas posições diminuírem e os fundos voltarem a aumentar, ou seja, o torrador bem provável está entrando no inverno Brasil menos coberto (em teoria ok, pois teríamos que estudar mais a fundo a posição das opções). Então, temos o torrador provavelmente “comendo” parte da cobertura, o exportador indo short diferencial, e o produtor com o pé mais atrás em vender futuro.
De outro lado, temos um parque cafeeiro que, salvo problemas climáticos, vem preparado para um boa/ótima florada.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.