O mercado fechou nesta última sexta-feira em 191,45 centavos base Julho, contra um fechamento de sexta-feira retrasada em 191,50 centavos. Mas emoção não faltou. Depois de “caranguejar“ entre 180 e 192 centavos, o mercado foi testar os 200 centavos suportado por bons dados da economia mundial (semana retrasada), e nesta semana puxou ate os 205 centavos com o primeiro cheiro do inverno brasileiro dando as caras.

Como comentamos na última semana, também existe no momento bons dados de fundamentos para dar suporte no mercado, inclusive com os certificados caindo abaixo das 700 mil sacas.
Estou lendo alguns relatórios indicando que as cotações voltaram ali perto do suporte/resistência de 192 centavos por causa de novas previsões pessimistas da economia mundial (ie Americana e Europeia) que colocariam em risco a demanda de café… Quando não se tem uma explicação plausível para “profit taking“ dos fundos, essa é uma que serve.

Os ventos e humores da economia mundial, no momento, vão sim mudar de semana a semana. O capital especulativo é muito mais rápido que o produtivo. O dólar se fortaleceu um pouco no final da semana, voltando à casa dos R$5,05, o que no final ajudou a manter as cotações em Real na última quinta-feira. Não que tenha melhorado muito na puxada de mercado, pois os exportadores procuraram diferenciais mais competitivos na compra.

As tendências dos fundamentos não mudaram, com embarques brasileiros e colombianos mais baixos, centrais mais ou equilibrados e Robusta com déficit (bem provável).
A OIC em seu relatório mostrou uma queda de cerca de 9% nos embarques mundiais no ciclo Outubro-Fevereiro um déficit de cerca de 7 milhões de sacas neste ciclo (já em cima de 7 milhões de sacas no ciclo passado).
Considerando de 10-13 de superavit no retrasado, fica aí uma das razões de um mercado com o pé atrás (mercado invertido) e os diferencias nas alturas (não vou entrar no mérito da distorção nos certificados) com qualquer fator de possa afetar o tênue equilíbrio ser gerador de compras na bolsa.
Na minha opinião, a questão da oferta está até equilibrada (os números são até bem próximos do USDA), mas a demanda está bem no ponto da curva mais alto. O risco esta aí!!

Outro ponto importante é a distribuição deste déficit, caso ele exista, entre Arábica e Robusta… E dentro de todo este contexto de demanda, os estoques nos portos americanos subiram 3,4% em Março para 6,016 milhões de sacas, e os estoques de Robusta em Londres também subiram.
Talvez até por este motivo, o USDA não tenha reduzido muito os estoques globais, mesmo com as quedas de embarques.

Estamos vendo mais e mais notícias de “El Nino”…. Mesmo assunto de possibilidade de geada. Bem fácil de prever, e mais fácil ainda especular em cima!!

Nas últimas semanas tive a oportunidade de dar uma voltinha por São Paulo e Sul de Minas. Digo voltinha, porque não foi viagem de estimar safra.
Pessoal,… observação absolutamente empírica, sem base estatística nenhuma… “vi” mais café do que uma safra de 38-40 milhões (Arábica) a ser colhida.

Por onde parei, batendo um papo com os produtores amigos, vinha sempre a pergunta… se vamos novamente ter os preços de 1.500 reais ou mais (e como corroboram relatórios de tradings, menos vendidos que em safras anteriores). Sempre respondo:… estou torcendo. É o máximo que posso fazer, pois sendo café uma commodity, e não tendo controle nenhum sobre os preços, o que tenho controle é sobre o resultado que quero ter.
Como me disse um outro amigo produtor que vendeu futuro um pouco acima de R$1.150 (já havia comentado com vocês): fico muito satisfeito com um resultado de $500 reais por saca! O volume de caixa necessário para os custos diretos de Junho a Fevereiro não brinco. Se quero especular, especulo com o que sobraria para minhas despesas pessoais, e completou… com a queda do preço dos fertilizantes e os juros atuais, vai diminuir o % de custeio de R.O. este ano, passando a um % maior de capital próprio.
Como também já comentei, cada um sabe do “seu quintal”.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.