O café Arábica fechou nessa sexta-feira dia 22 a 272,35 c/lb, o índice CEPEA apontou a saca de 60kg tipo 6 a R$ 1.602,87 no fechamento. Volume de negociações diárias na bolsa abaixo da média.
Ainda temos visto que de fato quem está precisando de comprar pagando preços acima, ofertas por volta de R$ 1.730,00 ainda são encontradas em algumas empresas. Para os meses de maio e junho houve algumas vendas muito boas com diferenciais extremamente altos, mas vendas bem pontuais, de reposição. O que permite compras acima do mercado.
O grande volume para Julho em diante vem com diferenciais já dentro da média histórica de 30 anos no Arábica, nas exportações as empresas estão trabalhando os diferenciais médios históricos e isso nivelou o diferencial da bica corrida para dentro da média de longo prazo novamente.

Robusta fechou a semana em 3.456 USD/Ton, preços praticados no mercado entre R$ 870,00 a R$ 900,00 por saca. Preço não sai do range há 5 semanas.
Houve muitos relatos sobre uma quebra considerável no Conilon, mas que poderia ser compensada pela grande expansão de área que aconteceu nos últimos anos, hoje expectativas de safra que já li e ouvi vão de 18 a 25 milhões de sacas.
Dólar depois da subida na semana anterior que saiu de R$ 4,89 e fechou a R$ 5,05, essa semana ficou oscilando entre mínima de R$ 4,98 e máxima de R$ 5,06, e fechou a sexta-feira a R$ 5,03. De um lado temos juros altos nos EUA e incertezas globais, guerra, sustentam o dólar e do outro lado juros elevados no Brasil, fluxo de exportação e carry trade continuam segurando uma disparada maior.
O COT (relatório semanal das posições dos participantes da bolsa de NY) novamente veio com aumento de posição short (vendida) na categoria Managed Money (fundos), aumentaram a posição short em 4.015 contratos. E diminuíram posição long (comprada) em -1.769 contratos.
Eu tenho conversado com pessoal da cadeia do café diariamente e sempre escuto que os estoques certificados estão muito baixos e que provavelmente seguraria o preço do café por conta disso, mas esse mercado talvez esteja vivendo uma das maiores distorções de interpretação dos últimos anos.
Quanto mais o preço cai, mais ouvimos a mesma frase: Não faz sentido cair com estoques certificados tão baixos.
Talvez a pergunta correta seja outra: Os estoques certificados ainda significam hoje a mesma coisa que significavam 10 ou 20 anos atrás?

Durante décadas o mercado aprendeu a olhar os certificados da ICE como um termômetro quase perfeito da disponibilidade global de café, estoque baixo significava aperto e estoque alto significava conforto, muito simples, certo?
Só que o mercado mudou muito.
Hoje existe custo financeiro absurdamente mais alto para carregar café:
Existem penalidades por idade dentro da ICE
Existe o fim da recertificação
Existem riscos logísticos maiores
Existe EUDR
Agora existe PPWR
Existe custo de capital elevado
Existe spread invertido destruindo boa parte do incentivo econômico de certificar café apenas para carregar posição.
Talvez o estoque certificado atual diga muito menos sobrequanto café existe no mundo e muito mais sobre quanto café faz sentido economicamente permanecer certificado na ICE.
A leitura talvez tenha mudado porque o mercado não negocia apenas estoque atual que está na bolsa, o mercado negocia fluxo futuro, incentivo econômico, liquidez, rolagem, necessidade de caixa, estrutura da curva e expectativa de oferta.
Pode parecer que isso sempre foi assim, porém há novas pressões regulatórias que trazem riscos, como descrevi acima.
O gráfico abaixo mostra algo muito interessante:

Mesmo com os certificados ainda relativamente baixos em relação ao passado histórico da ICE, o mercado despencou de aproximadamente 370 para perto de 270 c/lb em 2026, e ao mesmo tempo os spreads próximos perderam força, mas não entraram em Contango (Contango é quando o futuro é mais caro que o presente) ainda, isso é importante. Se o mercado estivesse totalmente confortável no disponível imediato talvez a estrutura já teria se invertido.
Observando os pendentes no gráfico ajuda a entender isso, em Março vimos um pico relevante de cafés aguardando classificação enquanto os certificados atingiam máxima próxima de 585 mil sacas. O mercado reagiu forte porque o mercado interpretou isso através dos spreads como potencial entrada de oferta no curto prazo. Mas depois disso mesmo com queda forte do preço da tela, os certificados voltaram a cair forte e o mercado físico não entrou em colapso proporcional a queda da bolsa.
Outro gráfico interessante é o do diferencial da bica corrida brasileira que está acima.
A bolsa caiu mais de 100 c/lb desde os picos do início do ano, e o diferencial voltou para sua média histórica de 30 anos, ao redor de -27 c/lb.
Isso talvez seja um dos pontos mais interessantes no momento, para mim há indícios de uma normalização no mercado.
O preço da tela começou a precificar uma expectativa extremamente baixista por conta da safra grande, aumento de fluxo e possível superávit futuro.
O mercado pode perfeitamente cair antecipando safra brasileira grande e melhora de fluxo nos próximos meses sem que isso signifique abundância imediata no presente.
Talvez os certificados não tenham perdido a importância, só tenham perdido a simplicidade.
Aprendam a utilizar ferramentas do mercado financeiro para proteção de preço e estratégias.
Boa semana,
Gustavo Matias
MCT | Matias Coffee Trading
Instagram: @matiascoffeetrading
*Não é recomendação de compra ou venda
Cursos de maio na MCT:
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26, 27 e 28 – Precificação e Exportação
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