Se não fosse pela queda acentuada nesta última sexta-feira, o mercado de NY passaria a semana praticamente inalterada. Vários boatos que corriam durante o dia, sobre uma possível demissão do Ministro Guedes, pode ter levado o mercado à um ajuste preventivo quanto a uma possível maior fragilização do Real. Ou seja, nos parece um ajuste técnico, porém absolutamente dentro do último canal de preços (193.50 e 204.50) estabelecido pelo mercado.
No mercado interno nenhuma grande mudança. Continuamos a ver certa restrição de crédito ao exportador com o rápido aumento do valor da saca, a manutenção de vendas modicas pelos produtores (cafés finos na faixa de $1.200 reais ou mais), uma certa retração de indústria local, e ainda uma acomodação dos importadores em relação a estrutura dos diferenciais Brasil x Custo de reposição interno.
A maior mudança foi realmente no Macro Brasil com todas as noticias fiscais, políticas, CPI’s, etc… que empurraram uma desvalorização da moeda local. Importante lembrar que nesta semana talvez, fatores internos tiveram um peso maior perante outros países, porém a valorização do Dólar, principalmente contra moedas de países emergentes, é um fator global. Aliás, para quem no momento está comprando fertilizantes e defensivos, isso não passa despercebido.
Acho que podemos sem dúvida começar a fixar em pelo menos 25% os aumentos dos custos diretos de produção.
Reportagem esta semana do porto de Los Angeles nos USA (não particularmente chave para café, mas em termos de carga geral, um dos maiores dos USA), em que foi batido o recorde nos navios atracados na baía esperando berço de atracação: 100 navios!!! Isso com o porto tentando operar 24/7.
Só na operação desembarque e transbordo existe uma falta crônica de: operadores de gruas, operadores de empilhadeiras, motoristas de caminhões, entre outras funções. A mesma falta e/ou atrasos de entregas de toda gama de equipamentos e produtos que sentimos aqui, lá também existe. É uma espiral inflacionária que dificilmente não vá levar a aumento das taxas de juros por lá também.
Para o café, uma bebida tão enraizada no consumo, com uma inelasticidade comprovada,
$1,00 dólar a mais por xícara (copo por lá) e menos refis grátis, não vai prejudicar o consumo!!
Produtor: tendência ainda positiva, com cautela e paciência.
Boa semana a todos !
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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