Entre ontem e sexta-feira retrasada, a variação do mercado foi até bem pequena (positiva por sinal), porém no meio do caminho a volatilidade foi interessante. O mercado em determinados momentos chegou a bater os 215 centavos base Dezembro, e no final de ontem acabou fechando dentro do canal um pouco abaixo da resistência ao redor de 204/205 centavos. Os estoques, tanto certificados quanto os GCA, vem caindo dia a dia. Com todos os problemas logísticos e atrasos, não é de surpreender uma cautela por parte de torradores em manter uma quantidade segura de estoques.
As notícias de não entregas futuras em larga escala na Colômbia também adiciona um fator de maior risco de entregas erráticas do 3º maior produtor do mundo.
Em resumo: a visão de oferta global de Arábicas não é a mais confortável do mundo… e a tendência não é de melhorar, mesmo com o spread Dez X Mar ainda não demonstrando.
Quais os riscos a nível de mercado ao produtor brasileiro neste momento?
Aparentemente no mercado externo, os aumentos de preços ainda não causaram nenhuma retração de consumo (não vi nenhum relatório ainda englobando o 3º trimestre, então estou apenas me baseando em comentários de traders), então quem possui estoques de cafés exportáveis no momento, em teoria tem um potencial razoável de elevação de preços.
Agora, quem possui cafés cujo destino possa ser somente o mercado interno, deveria ter bastante cautela com a possibilidade de estarmos no pico da montanha. Todos estão cientes do péssimo resultado do comércio no mês passado e a pressão inflacionária em geral. Já tenho notícias de uma maior devolução de mercadorias pelo varejo a torradores médios e pequenos, e o declínio do giro nas gôndolas em geral. Não estou advogando aqui que exista um risco eminente dos preços retrocederem, porém na sua análise de fluxo de caixa entre qual qualidade de café segurar, atenção aos cafés que são destinados ao mercado interno.
No mercado de exportação, os novos negócios seguem esporádicos. Pouquíssimos negócios em que vemos importadores melhorando as bases de compras no Arabica. No Conilon estamos observando um maior volume de washouts (recompra de contratos de exportação por exportadores), onde os importadores, mesmo pagando um “penalty“ aos exportadores, conseguem re-originar cafés robustas de outras origens a preços mais competitivos ou com logística de menor gargalo. Esses cafés não exportados tiram um pouco da pressão de volume das costas dos torradores nacionais (em teoria é claro). Mais uma luzinha de alerta aos cafés baixos Arábicas.
A tendencia ainda é positiva!
Boa semana a todos !
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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