O mercado de NY mostrou resiliência mesmo com as chegada das chuvas, o fortalecimento do dólar e algumas fotos de floradas. Apesar das liquidação no início da semana (o que de certa forma já era esperado no curto prazo), tecnicamente o mercado sustentou bem perto do suporte de 193 centavos (previamente resistências ao longo da média móvel de 50 dias) e nos mostra que pode agora trabalhar na escala entre 193 e 204.50 centavos.
Os estoques nos países consumidores continuam a cair, com importadores realmente sentindo um maior senso de urgência na calamidade logística que afeta praticamente toda cadeia de fornecimento.

As chuvas que chegaram esta semana foram um alento para que as perdas não piorassem ainda mais. Não foram um prenúncio de uma grande florada/safra, mas chegaram no momento exato de amenizarem danos ainda maiores, se tivéssemos mais alguns dias de seca e altas temperaturas.

O mercado interno é bem um reflexo do que o produtor já vê no dia a dia, com pouco volume de café ofertado e preços para bicas de bebida melhor na faixa de 1200 reais. Café preparado saindo negócios na faixa de 1300 reais. Conforme reação NY + dólar + problemas logísticos, logo poderemos ver café na faixa de 1500 reais.

De interessante esta semana foi o relatório da OIC. Entre os pontos mais relevantes eu destacaria:
 A redução pequena (porém mais uma redução) do superávit da última safra;
 Aumento pequeno (porém mais um relatório sustentando a inelasticidade do café) do consumo;
 Que os preços neste patamar não necessariamente levará à um aumento exacerbado de produção futura devido também a alta inflação de insumos e custos de implantação (global).

A tendência de mercado continua positiva. De objetiva importância agora é observar demanda e desaparecimento dos estoques nos países consumidores.

Da situação do Brasil o mercado ja tomou pé.

Boa semana a todos !

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.

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