O mercado fechou a semana de maneira positiva, acima dos 200 centavos de dólar por libra-peso. De certa forma até surpreendente, após várias sessões trabalhando entre 183 e 193 centavos, e com uma certa normalização das chuvas sendo esperado para o mês de Outubro.
Os problemas do lado da oferta que o mercado vem apontando (problemas logísticos, seca, geada, etc …) de certa forma já estavam a luz dos olhos no espaço abaixo de 200 centavos onde o mercado vinha trabalhando. O que começou a mudar foi o aumento do sentimento de urgência da demanda, e consequentemente o inicio da redução dos estoques nos países consumidores, potencializado pelos contínuos atrasos nos embarques.
Temos visto países produtores também aumentando suas exportações nestes níveis de preços, mas isto não está sendo suficiente para começar a aplacar os ânimos.
Conversando com dois pequenos importadores esta semana, ambos foram unânimes em citar que o desaparecimento dos estoques vai começar a aumentar.
Os volumes de compras em NYC foram de boa ordem na sexta-feira, e podemos crer que os fundos aumentaram ainda mais sua posição comprada.
No mercado interno continua a dificuldade em compras de volume. É um mercado bem picado. Algo para termos em mente é o nível de preços de cafés de base para o consumo interno.
Arábica fino já negociado acima dos $1.200 reais a saca e o Conilon já passa de $800 reais a saca. Conversando com um amigo dono de cafeteria em shopping, dizia que a sua fornecedora aumentou os preços em 52%… e já advertiu que mais aumentos virão. Imediatamente ele trocou parte do fornecimento para uma outra empresa, mas está bastante preocupado que não vai poder repassar quase nada do aumento para o consumidor. A princípio vai ceder margem para não perder volume. Isto atesta a atenção que temos que ter para a famosa “curva da morte” no mercado interno, onde a paridade de compra local não vai poder acompanhar a dos países consumidores, e provavelmente teremos um aumento entre a diferença de preços entre qualidades.
Segundo o consultor Moisés Alves da RR Consultoria, as chuvas começaram de forma consistente na maioria das regiões cafeeiras, e induz floradas para a próxima semana.
Não será supresa se nas próximas semanas, após mais chuvas e floradas, o mercado voltar a trabalhar abaixo de 2 centavos (contando que realmente aconteça uma normalização).
Temos vários fatores macros que com certeza afetaram o câmbio e a economia, e terão efeitos de curto prazo em NY.
A tendência continua positiva!
Boa semana a todos !
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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