O mercado começou a semana com força compradora, chegou a testar níveis mais altos e animou os produtores a realizarem alguns negócios. Na terça-feira, o arábica atingiu 319,50 c/lb, mas perdeu força ao longo da semana e voltou a negociar abaixo do fechamento anterior, encerrando a 301,70 c/lb.
O mesmo comportamento foi observado no Robusta, que chegou a 3.704 USD/ton, mas também recuou e encerrou a semana abaixo dos níveis anteriores, fechando a 3.516 USD/ton.
No físico, houve pouco repasse dessa alta para o produtor. Os diferenciais seguem ajustando e o mercado continua bastante seletivo. Para quem precisa vender, existe um preço e para quem pode esperar o preço é outro. O índice CEPEA fechou a semana em R$ 1.947,89 para o Arábica e R$ 1.016,60 para o Robusta.
Com a safra nova se aproximando, a tendência é de normalização das ofertas. Enquanto isso, o mercado ainda disputa os lotes remanescentes da safra 2025, mantendo um ambiente de negociações pontuais e preços descolados.
O dólar caiu 1,4% na semana, fechando em R$ 5,23. Ainda assim, o cenário global segue incerto, com tensões geopolíticas no radar, mantendo o ambiente de aversão ao risco elevado.
De acordo com o COT, os fundos voltaram a aumentar a posição líquida na categoria Managed Money (Fundos). A posição comprada subiu em 5.745 contratos (+23,7%) em relação à semana anterior.
Mesmo com uma safra grande se aproximando, os fundos seguem comprados e isso reforça a leitura de que o mercado continua mais sensível ao fluxo de curto prazo do que à expectativa de oferta futura. O fluxo de negociações segue contido e produtores mantêm posição especulativa, aguardando melhores oportunidades de venda para o saldo da safra 2025 e para a safra 2026. O mercado segue dividido entre a expectativa de uma safra maior e a realidade de um fluxo ainda ajustado no curto prazo.
O mercado de café segue atento às tensões no Oriente Médio, principalmente pelo risco logístico envolvendo o Estreito de Hormuz e o Canal de Suez. Em um cenário de estoques globais baixos e forte dependência do fluxo marítimo, qualquer aumento de risco passa a ser relevante.
Não houve interrupções relevantes no fluxo até agora, mas o aumento da tensão já eleva custos e a percepção de risco nas rotas globais. Para o café, o impacto é mais indireto, via logística e custos, do que propriamente na formação de preço.
O Irã tem consumo relativamente baixo e importa cerca de 1 a 1,5 milhão de sacas por ano, menos de 1% do consumo global. O impacto não está no consumo, mas no risco de disrupção logística que essa guerra pode causar.
Caso haja interrupções nas rotas, o efeito seria sentido principalmente na Europa, que consome cerca de um terço do café global, e no Oriente Médio, com aproximadamente 22 milhões de sacas por ano. Não falo sobre risco no consumo, mas na capacidade de o café chegar aonde precisa no tempo necessário.
O mercado está equilibrando duas forças, a expectativa de uma safra maior e a realidade de um fluxo ainda ajustado e sensível a qualquer risco, diferenciais muito longe entre uma safra e outra mostram realidades distintas.
Enquanto o café disponível continuar disputado e a logística sob pressão, o curto prazo tende a permanecer firme. A mudança de direção virá quando o fluxo e essa percepção de risco mudar.

Boa semana,
Gustavo Matias
Instagram: @matiascoffeetrading

*Não é recomendação de compra ou venda
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