O mercado de NY fechou a semana com mais de 10 centavos de perda (sexta a sexta). O mercado furou os 2,50 centavos várias vezes durante o inicio da semana e encontrou vendas relativamente sólidas. Lembrando que os fundos vêm construindo a posição em café já a algum tempo e no rebalanceamento do portfólio no último mês do ano, café é um forte candidato a ter posições realizadas. Isto principalmente considerando que é muito provável que realmente teremos dois aumentos das taxas de juros nos USA em 2022.

Tecnicamente o mercado sinalizou que acima de 2,50 centavos considera uma zona neutra, até termos mais conteúdo sobre safra Brasil e números de consumo (e posição de estoques). Vamos esperar os dados mensais de estoques nos países consumidores, já que novamente segundo dados da CECAFE, Novembro foi outro mês de embarques quase 40% menores (comparação ano a ano).

A posição MAR fechou e abaixo de 2,33 centavos… grande possibilidade de segunda-feira já na abertura, o mercado testar os 2,30. À não ser que tenhamos dados fortes de queda de estoques, muito provável que voltemos a testar 2,50 e acima no início de 2022.

Internamente o mercado continua bastante travado. Dezembro tradicionalmente não é o mês preferido de vendas para o produtor e, aliando isso ao contínuo problema logístico de embarques, podemos dizer que Dezembro como mês gerador de negócio, muito provavelmente já acabou.

Na exportação também muito poucos negócios reportados. Nada mudou na questão da quebra da próxima safra a ser colhida. Os indícios de problemas principalmente no Sul de Minas e Cerrado estão cada vez mais nítidos.

O fundamento global de Arábica continua o mesmo: saímos de superávit em 19/20, equilíbrio em 20/21, déficit em 21/22… Ou 22/23 entrega uma safra perto de 50 milhões para reestabelecer o equilíbrio nos estoques globais de Arábica (e aí possivelmente um mercado entre 1,50-1,75 centavos), ou continuaremos com estoques deficitários.
Repito que ainda não existe nada que indique uma queda no consumo nos países do hemisfério norte para mudar o balanceamento.

Uma mudança de blends para maior consumo de Robusta certamente está ocorrendo, mas nas grandes marcas e no mundo atual das cafeterias isso tem um potencial bem limitado (mas com certeza em geral é o primeiro passo no balanceamento).

Para o produtor que provavelmente verá seus custos de produção em áreas mecanizadas ir acima dos $600 ou até $700 reais/saca (isto com média à alta produtividade), conseguir novas travas futuras acima dos $1.500 reais para bicas continua sendo um bom negócio.

Muito provavelmente o primeiro semestre do ano que vem trará boas oportunidades de travas futuras que deverão ser olhadas com cuidado para que as oportunidades não sejam perdidas.

Em minha opinião mesmo com a correção que estamos passando, o mercado tem um viés positivo buscando novamente os 2,50 centavos.

Desejo a todos uma ótima semana!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.