Muito rápido e com muita força! Este foi o principal comentário que observamos esta semana com o mercado de café retrocedendo abaixo dos 250 centavos. Com os fundos e specs adicionando posições na semana passada para puxar o mercado para fechar o gap técnico em 264 centavos na semana, os mesmos realizaram parte de suas posições ainda em cima de uma média muito boa de compras. Até o Petróleo teve uma pequena queda no início da semana, perante rumores de um acordo entre os governos Americano e Saudita, para em caso de conflito na Ucrânia, não haja nenhum risco global de desabastecimento.

Petróleo tem um peso forte na cesta de índices, o que não ajudou muito o mercado de café.

No final de semana, grãos, metais e energia já mostraram recuperação no curto prazo. A crise na Ucrânia está longe de ser resolvida, e um conflito armado (de maior ou menos intensidade) é quase certo. Esperemos volatilidade.

Os estoques certificados continuam na casa de 1 milhão de sacas e continuam mostrando a tendência de nos próximos 3 meses, atingir níveis históricos de baixo volume. Não que isto seja o fim do mundo, apenas mostra a tendência de como a situação de oferta é apertada no momento.

Globalmente é bem difícil calcular os estoques existentes, mesmo porque temos colheitas em épocas distintas em diferentes regiões. Porém, não seria nenhuma supresa se 40-50% dos estoques atuais comercializáveis de café no mundo estejam no Brasil, e muito menos dizer que somente o Brasil com sua safra de Arábica pode tirar o balanço do vermelho (exclusivamente no caso de Arábica). Com isto, a estrutura do mercado deve continuar firme e mantendo a inversão.

Em termos de consumo, a Nestlé divulgou seus resultados do ano passado, e o segmento Café teve a maior contribuição para o crescimento orgânico do grupo. As vendas de café cresceram 9,75% no ano, fortemente suportadas pelo portfólio de forte presença de produtos para o consumo no lar (obviamente a pandemia deu num forte viés para o consumo no lar).

Com a licença para venda dos produtos Starbucks no varejo, as linhas de cápsulas e mais o café soluvel, a empresa manteve um ótimo crescimento orgânico. A margem operacional teve uma pequena queda, pelos impactos dos custos logísticos e aumentos do próprio café. Sendo a maior empresa no varejo globalmente, e mesmo com um viés de crescimento com um portfólio focado no consumo dentro do lar, fica difícil acreditar que a queda de consumo fora do lar tenha caído tanto para que não tenhamos um média geral ainda positiva de crescimento orgânico no mundo.

Mesmo com a retração de NYC dentro da semana, pouca coisa mudou no mercado físico local. Não existe pressão de venda. Existe ainda uma forte tendência no curto prazo, o mercado testar os 242 centavos, porém, no médio prazo continuamos com a opinião que o mercado é construtivo e poderá testar novamente o gap em 264 centavos.

Tenham uma ótima semana!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.