O mercado encerrou a semana a 223,60 centavos com uma perda de cerca de 5 centavos na semana, que foi de altos e baixos, com o mercado chegando perto de testar novamente os 242 centavos antes de perder força, e novamente testar as mínimas do canal em 221 centavos.

A falta de “follow through” para novamente o mercado testar e furar o nível de 242,50 centavos, mostra que o mercado ainda estuda o real impacto na demanda, quando consideramos o guerra da Ucrânia, oscilações na atividade econômica chinesa, e os impactos da inflação global.

Pouca mudança na posição dos estoques certificados durante a semana.

Novo relatório do CECAFE mostra que o Brasil realmente é um fornecedor global de confiança, exportando 3,6 milhões de sacas em Março. Este número é 6% menor em relação ao mesmo mês em 2021, porém a receita subiu quase 70%. Destaco que as exportações de Arábica avançaram quase 1%, e o número total foi menor somente pela baixa exportação de Conilon. O acumulado safra chega a 30,2 milhões de sacas exportados, 16,5% menor em relação aos 36,2 milhões de sacas exportadas no mesmo período na safra anterior… mesmo assim, um número considerável.   

As incertezas sobre a economia global e a demanda em geral, estão agora de contra ponto frente a entrada do inverno brasileiro e seus riscos.

Em termos gerais, energia, metais e grãos continuam atraindo mais a atenção do mercado, porém volto a afirmar no longo prazo, os investimentos necessários na produção de café para suprir a curva crescente de demanda (e aqui falo no longo prazo também, e não somente no possível problema pontual) não serão pequenos.

Em termos de Arábica, poucos ou talvez nenhum país tenha a capacidade de suprir a futura demanda como o Brasil. Quando somamos o custo de investimento em terra (competindo com grãos e outras culturas), com os custos de insumos, e as novas taxas de juros, podemos ter até uma nova super safra em 2023, e caso tenhamos uma queda de preços face a isto, novos investimentos em áreas produtivas de café não serão fácies do ponto de vista financeiro. Conhecemos a resiliência do produtor de café, mas no longo prazo somente remuneração e consequente investimento em produção poderão manter o mercado abastecido com volume e qualidade.

No curto prazo, oportunidade de vendas, principalmente para entregas em 2023, não devem ser desperdiçadas.

Boa semana a todos !

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.