O mercado encerrou a semana (base julho) à 227,15 centavos, com uma pequena melhora frente ao fechamento na semana passada. Novamente porém, o que não faltou foi a contínua dose de volatilidade, com o mercado trabalhando abaixo dos 221 centavos no inicio da semana, e somente se recuperando durante os feriados no Brasil. Até porque, a falta de venda Brasil e ordens de compra abaixo de 221 centavos, impulsionaram a recuperação, sem digamos, um volume expressivo.

Não existem novidades grandes no front: os estoques gerias americanos (GCA) tiveram uma pequena alta e os estoques certificados nenhuma mudança de direção significativa.

Se olharmos os números de exportação globais divulgados pela OIC recentemente (aqui até comentamos), uma estabilidade nos estoques realmente não é surpresa. Como já dizia Robert Rubin: “mesmo que você esteja certo no curto prazo, não lute contra uma tendência geral”.

O Real voltou a ter uma leve desvalorização durante a semana, porém segundo relatórios, é muito mais uma recuperação técnica (ok …talvez a disputa Executivo & Judiciário tenha ajudado um pouco) do terreno bem vendido.

Os recursos externos continuam entrando, todavia com o forte viés do BC em continuar a subida dos juros frente a inflação e recursos de exportação do Agro, que se mantém muito forte. Em geral, fora frente a novas noticias, a tendência tanto do café como do dólar é sofrer alguma pressão de venda no início da semana.

Internamente o destaque é o início da colheita de Arábica Brasil em algumas propriedades no sul de São Paulo e na Zona da Mata. Segundo colegas que começaram a colher em São Paulo, à principio nenhuma surpresa em termos de rendimento e qualidade nos talhões não afetados por frio ou seca.

Externamente, vale ressaltar que depois de uma melhora na situação logística, podemos novamente ter problemas mais sérios devido a toda situação de lockdowns e consequente perda de eficiência nos portos chineses. O acúmulo de navios nos portos chineses voltou a um patamar altíssimo, o que com certeza vai voltar a ter um efeito cascata para toda a cadeia logística. Isto aliado a uma situação já bem difícil nos portos americanos.

O mercado continua no canal de 221 a 242 centavos. Inverno e logo depois florada, são os próximos grandes eventos em termos de Brasil pelo menos. Qualquer impacto negativo nas próximas safras do Brasil, que ocorram nestes dois eventos, com certeza vai jogar o mercado para acima de 300 centavos com facilidade.

Para o produtor brasileiro neste caso, fora os danos e perdas de produtividade, preço não será um problema. Na outra ponta do espectro, um inverno limpo e uma boa florada com chuvas normais… no curto prazo, oportunidade de vendas para uma porcentagem que cubra parte das despesas operacionais, principalmente para entregas em 2023, não devem ser desperdiçadas.

Boa semana a todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.