O mercado sexta-feira fechou em 222,10 centavos base julho, cerca de 5 centavos do fechamento anterior. Considerando o que foi a semana, um novo fechamento acima dos 221 centavos pode ser considerado um sucesso.
O mercado chegou a trabalhar abaixo do 215 centavos, novamente com forte viés de preocupações com a demanda.
Relatório do Deutsch Bank sinalizando início de uma forte recessão, aliado à discursos novamente mais fortes do FED Americano que as taxas de juros subiriam em um ritmo mais forte.

O dólar voltou a se valorizar perante ao Real, chegando aos níveis de $5 reais, e não é somente pelo termômetro político nacional… há possibilidade de uma subida mais íngreme das taxas de juros americanas, mesmo com os níveis atuais da SELIC, pode tornar a arbitragem de juros bem menos atraente. E não foi só o Real que se desvalorizou esta semana. Várias moedas principalmente de países emergentes seguiram no mesmo caminho.

Os estoques certificados tiveram um pequeno aumento, ficando em 1,117 milhões de sacas. Basicamente a composição continua sendo de Brasil e Honduras.

Relatório do CECAFE indica que as exportações para a Rússia e a Ucrânia caíram 72% e 62% respectivamente. Apesar das várias sanções impostas, momentaneamente essa queda é muito mais uma função de ajustes na logística e formas de pagamento, do que propriamente uma crise de consciência de exportadores. Obviamente, exportadores de solúvel, que tem outros mercados que participam ativamente das sancões contra a Rússia, precisam tomar um cuidado muito maior… porém, no verde (e até no torrado e moído), é so uma questão de tempo para se ajustar logística e pagamentos (por enquanto Sr Putin … só a vista!).

Essa semana já vimos vários pedidos chegando de café com destino para a Rússia. Por um certo preço, podem ter certeza, alguém vai vender.

Novo relatório do Citibank indica que o mercado global de café passará a ter sobras ao invés de déficit. Basicamente uma mistura de queda na demanda (por vários fatores já citados aqui) e aumento de expectativa de produção em vários países, incluído o Brasil (prevê safra de 65,5 milhões de sacas).

Em termos de lavoura, li vários relatórios esta semana sobre um possível novo problema com a safra de milho no centro oeste, com mais de 1 mês em várias regiões sem nenhuma gota de chuva.
Não podia ser diferente. O tema já escalou para o café, com o assunto estiagem.
Para os colegas do Sul de Minas, as últimas semanas tem sido de bastante calor durante o dia. Esta semana mesmo, tive que irrigar os novos plantios dia sim, dia não… porém, as lavouras de vizinhos já em produção (que não sofreram com a geada) ainda se mostram bem preparadas.

Com a colheita próxima, o clima seco vem a ajudar em todo processo, especialmente na qualidade. Na minha opinião, caso persista novos períodos de pouquíssimas chuvas (o que é normal no inverno), porém com altas temperaturas, não vamos ter margem para erro durante a o período de florada. E os comentários lá na frente serão… desde abril sem chuvas!

Outro relatório importante é sobre a situação de fertilizantes: há males que vêm para o bem. Importantes produtores de grãos já estimam usar 25% menos fertilizantes este ano, sem perder produtividade. Com uso de tecnologia (aplicações específicas, aplicações de precisão, maior utilização de adubos orgânicos, etc, etc)… consideram que vão conseguir abater os novos aumentos em decorrência da volatilidade de preços e fornecimento.

O mercado continua no canal amplo de 221 a 242 centavos. De um lado o inverno brasileiro chegando e logo após o período de florada, e de outro lado muita preocupação com a demanda mundial. Importante ficarmos atentos a novos relatórios de safra indicando números mais altos (i.e. Citibank) do que a mediana até agora apresentada. Novos negócios para 2023 saíram esta semana a $1.350 Reais.

Boa semana a todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.