O mercado fechou a semana em 210,45 centavos base Julho com uma queda de 12 centavos perante o fechamento retrasado. O trade de vender na segunda-feira e recomprar na sexta-feira deste vez foi por água abaixo.
O mercado não resistiu as contínuas preocupações com novos lockdowns na China, a continuação da guerra com a possibilidade do embargo de óleo e gás Russo pela Europa (e possível impacto inflacionário), a subida (esperada) de juros nos USA e o humor negativo do mercado acionário. Ou seja, várias situações que levam o mercado a começar a apostar em um problema mais sério de queda de demanda.
Houve uma procura natural para ativos mais seguros, e consequentemente o dólar se valorizou novamente. Com excessão do dólar e dos ativos energéticos (óleo e gas) todos os outros ativos tiveram um final de semana em queda.
Na questão dos estoques certificados basicamente sem mudanças, com os estoques 1,121 milhões de sacas. A OIC (Organização Internacional do Café) divulgou alguns dados esta semana:
– As exportações globais de março subiram 3,99% em relação ao mesmo mês do ano passado, ficando em 13,16 milhões de sacas;
– Ficou mantida a estimativa de produção 2,1% menor em comparação a safra passada (considerando outubro de 2021 a setembro de 2022). Total de 167,2 milhões de sacas;
– Ficou mantida a estimativa de consumo crescendo em 3,3% , para um total de 170,3 milhões de sacas.
Os dados mostram que em geral houve uma queda de previsão em países com foco na produção de Arábica e um aumento de origens Robusta.
A expectativa de crescimento do consumo em 3,3% pode hoje ser considerada bastante agressiva… e, se tirarmos 1,5 a 2,0% dos números de consumo, trazendo os mesmos para uma mediana da maioria das projeções de outros participantes do mercado, chegamos a uma situação de equilíbrio e até superavitário. Aliando isto a todo um humor negativo da economia global, podemos entender porque o mercado de café encontra dificuldade em se manter no canal acima de 221 centavos.
No mercado houve uma maior movimentação de venda de café esta última semana, o que já mostra uma maior disposição de produtores em aproveitar os níveis de 1.250/1.300 reais (antes da queda de sexta). Com um maior volume de colheita programado para se iniciar nesta segunda-feira no sul de Minas Gerais, existe uma necessidade de caixa para as despesas de colheita e pós colheita.
A volatilidade de mercado vai continuar, mas não podemos negar que agora temos um sentimento mais negativo.
No momento não observei nenhum relatório climatológico indicando um frio mais forte para os próximos dias, então para a semana que se inicia, esse não deverá ser um fator importante.
Boa semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.