O mercado fechou a semana, base Julho em 213,90 centavos, um pouco melhor do que na sexta retrasada de 210,45 centavos. Esta pequena variação não espelha o que foi a semana, com a alta volatilidade da economia global e o início da temporada de inverno no Brasil.
Não vou aqui chover no molhado sobre o assunto geada, pois tenho certeza todos estão acompanhando atentamente todo os reports que saem de hora em hora.
Sobre a economia global, se nem o FED americano sabe bem o que fazer, imagine nós, pobre mortais. A verdade é que tirando o setor de energia, metais (com menos ênfase) e grãos em virtude da guerra na Ucrânia, boa parte das outras commodities sofrem com a incerteza sobre uma nuvem de recessão que paira sobre a economia global, e consequente queda de demanda.
Como já frisamos antes, o café, apesar de toda sua inelasticidade de demanda, também será de alguma forma afetado caso uma recessão mais forte nos países consumidores venha acontecer.
Não observamos nenhuma mudança significativa nos estoques certificados, estando estes em 1,13 milhões de sacas, porém nem todas as notícias são negativas no sentido do balanço entre oferta e procura ser afetado por uma situação recessiva da economia global. Após estimativas de Honduras mostrarem que a safra foi menor do que a esperada, também a Colômbia provavelmente ficará abaixo das expectativas quando somadas a safra principal e a secundária.
Com um superávit de Robusta globalmente previsto pelos números apresentados pela OIC (relatório semana passada) e uma menor demanda Russo-Ucranian de solúvel (libera ainda mais Robusta no mercado), importante observar quanto será rebalanceado nos blends para uma “substituição“ de Arábica que com certeza será deficitário.
Com equipamentos mais modernos e um constante aperfeiçoamento em pontos críticos de torra, não podemos subestimar estas mudanças de blends. Se observarmos com cuidado, podemos notar que ao longo do tempo os líderes no mercado brasileiro de torrado e moído (que tem acesso a tecnologia e capital) tem tornado suas marcas de “combate“ bem mais palatáveis… e todos nós sabemos qual o blend!
Voltando ao assunto clima, talvez seja importante relatar que o Centro Nacional de Previsão do Clima do governo americano está prevendo uma chance acima de 60% de ocorrência do fenômeno “La Niña” de Agosto/22 em diante. Isto costuma significar aumento de chuvas nas áreas de café dos países Andinos e seca para a região sul/sudeste do Brasil.
Ainda estamos alguns meses distantes, e com certeza mudanças climáticas ocorrerão, porém importante deixar isto no radar.
Pessoal, o sentimento geral da economia global nao é positivo. Volto a frisar que o nosso Café tem historicamente uma inelasticidade interessante perante variação preços & demanda, porém as oportunidades de vendas que surgirem no ciclo inverno (nas previsões de geada) ou época de florada, não devem ser desprezadas, obviamente com atenção aos fatores que levam as subidas (intensidade da frente fria e desenvolvimento de “La Niña”).
Boa semana a todos!!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.