O mercado fechou a semana em 226,60 centavos, base Setembro. Tivemos uma boa recuperação de 17 centavos versus o fechamento de sexta retrasada, onde o mercado se encerrou a 209,45 centavos.
Tecnicamente, o mercado continua dentro de um canal de consolidação, e os movimentos após o mercado rebater de volta acima de 200 centavos, são movimentos laterais dentro de um canal maior, que no momento, basicamente fecha entre 202 e 242 centavos.
Os estoques certificados continuam a cair, chegando a 570 mil sacas.
Temos quase 200 mil sacas pendentes de classificação, o que na minha opinião, muito provavelmente é uma reclassificação (possivelmente por falta de demanda específica para estes cafés no momento, ou por necessidade de financiamento). Pessoal, o mercado continua invertido (forte no Dezembro – Março), e isto sempre foi um suporte muito grande… na verdade em qualquer mercado de commodities.
Vejo muito remota a possibilidade dos diferenciais caírem o suficiente para os cafés serem destinados a certificação, mesmo com a entrada de safra de Colombianos e Centrais após Novembro. Volume volume mesmo, com preços competitivos o suficiente para que a bolsa seja o melhor comprador, provavelmente só mesmo a próxima safra Brasil em 2023. O que nos leva novamente ao assunto florada Brasil!!! É o mesmo cenário na semana pessoal.
Os fundamentos continuam robustos, sendo que o contrapeso é o macro. Florada Brasil e consequentemente pegamento é do ponto de vista do fundamento o próximo grande evento que vai gerar um grande movimento no mercado de café.
Gostaria de jogar aqui uma sementinha de dúvida… Sempre falamos como café é uma planta resiliente e quando a gente menos espera, ela devolve em produção. Problema é que são anos seguidos de déficit hídrico, intercalados com geadas, podas e custos operacionais altos.
Segundo Alysson Fagundes, pesquisador da Fundação Procafé, “boa parte das lavouras sentiu drasticamente as geadas. “Diminuímos a área porque algumas lavouras atingidas eram mais velhas e inviáveis para renovação, onde o produtor optou por cereais. Outras tantas sofreram Recepa (intervenção drástica) e, em 2023 não entregam produtividade expressiva”, afirma Fagundes.
Mesmo climaticamente tudo correndo dentro do script, uma possível super safra, pode não ser tão super assim. Pura especulação aqui viu pessoal… porém, podemos bem ver esse mercado em $900 reais antes de vermos ele batendo $2.000 reais a saca. Possivel??
Segundo relatório do CECAFÉ, a exportação de café verde do Brasil em Julho, somou 2,168 milhões de sacas de 60 kg, queda de 15,8% ante o mesmo mês de 2021, marcando o menor volume para o mês desde 2018.
Variedade Arábica atingiu 2,02 milhões de sacas em Julho, queda de 6,5% ante o mesmo mês de 2021, enquanto os embarques de Robusta/Conilon somaram 144,6 mil sacas, recuo de 64,8% na mesma comparação.
Incluindo o produto industrializado, os embarques totais de café somaram 2,476 milhões de sacas em julho, primeiro mês da safra 2022/23, volume que indica recuo de 14,9% no comparativo anual.
O dólar chegou bem perto do $5 reais, o que para muitos no curto prazo continua sendo um ponto de compra pelo cenário pré eleição e ainda uma possível subida de 75 pontos na taxa básica de juros Americana. Os últimos dados indicam um freio na curva inflacionária norte-americana, voltando para ao redor de 8,5%, mas ainda uma taxa que muito provável vai manter o FED na ofensiva de juros.
Uma notícia positiva vendo do relatório trimestral da empresa Starbucks. A empresa registrou receitas recordes de $8,2 bilhões de dólares, e muito atribuído a bebidas geladas. 75% das vendas no 3º trimestre (obviamente verão no hemisfério norte) foram de bebidas geladas, com a plataforma dos “iced shake expressos“ (café expresso em forma de shake gelado) crescendo 50% em 1 ano!. Grande parte deste consumo, indica o relatório, vem da “geração Z” (nascidos entre 1997 a 2012). Consumidores a longo prazo!
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.