O mercado fechou esta sexta-feira em 215,95 centavos, cerca de 10 centavos abaixo de sexta feira retrasada, base Setembro.
O Dezembro fechou em 213,95 centavos e, a partir da semana que vem, estaremos reportando contra a base Dezembro.
As notícias de relevância continuam a ser focadas na situação dos estoques.
Primeiro foi o novo aumento dos estoques nos portos americanos, que subiram para 6,22 milhões de sacas (contra o report do mês passado de 6,05 milhões de sacas).
Independente das questões logísticas, querendo ou não, é um sinal de uma demanda sem muito entusiasmo, normal para esta época do ano, considerando o calor infernal que está por lá (nem toda demanda vem de um shake expresso gelado….).
Já os estoques certificados observaram um incremento na semana voltando a quase 600 mil sacas, parte das recertificações e parte de cafés oriundos de origem.
Como comentamos semana passada, as cerca de 200 mil sacas postas para recertificação, mesmo com os penalties de tempo/qualidade, podem muito bem ser momentânea falta de demanda para a qualidade (vamos lembrar que a arbitragem Robusta – Arábica continua favorecendo a compra de Robustas & principalmente os Honduras mais antigos) e/ou também necessidade de refinanciamento.
Jogar café novo para certificação pode ser também uma tentativa de jogar água na fervura do spread entre meses (um custo relativamente barato pelo baixo volume), para quem tem uma posição especulativa no vermelho, ou já tomou parte do inverso no resultado do estoque e tenta melhorar algo na reta final.
Sinceramente, no final das contas, podem tentar recertificar o que puderem e ainda jogar uns washed Brasil na conta… porém, ou temos algum solavanco da demanda, ou vair sair café aqui do Brasil… sem isto a sangria vai continuar no Dezembro-Março, ou… não posso esquecer, podemos ter um problema na florada Brasil… NYC puxa, e os diferenciais possivelmente comecem a fazer sentido contra a bolsa… talvez!?!?!? Esse ano a felicidade não vai sair barato.
No front interno, semana relativamente calma, sem surpresa… os lotes que aparecem na praça não duraram muito. Não é uma demanda absurda pois o exportador também não quer ficar carregando café contra o inverso, mas o fluxo de café é bem limitado. Mesmo o fluxo das Matas de Minas, que vinha sendo constante, começamos a ver aquela qualidade de café que indica que o “rabo” da safra está começando.
O sul de São Paulo e o norte do Paraná tiveram um bom volume de chuva esta semana. Nesta sexta-feira, saindo de Varginha e indo para São Paulo, nenhuma gota na estrada, porém, já me começam a chegar fotos de florada.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.