O mercado fechou sexta-feira em 238,70 centavos, base Dezembro, movimentando quase 25 centavos no território positivo, contra o fechamento de 213,95 centavos de sexta-feira retrasada. Como comentamos no último relatório, as certificações e re-certificações em nada aliviaram os spreads (diferença entre o 1º mês Dezembro e o 2º mês Março) e claramente tiveram zero impacto em acalmar o mercado. O mercado deu um ótimo impulso e se sustentou perto da forte resistência técnica ao redor de 242 centavos.

Fotos de floradas em meio a uma frente fria de até razoável intensidade, e com o agravante mais importante: sem sequência de chuvas…. prato cheio para um possivel abortamento e uma segunda florada possivelmente mais fraca, pelo menos em algumas regiões.

Para dar mais suporte ainda ao mercado, a consultoria Safras & Mercado divulgou novo relatório de safra, reduzindo a produção de Arábica de 38,8 milhões de casas para 35 milhões (no Conilon subiram cerca de 1 milhão, para 23 milhões de sacas).

Quanto o Brasil vai exportar no último trimestre deste ano e primeiro semestre do ano que vem?? Até quanto irá cair a relação estoque/consumo global (considerando um “conforto“ acima de 22/23%). E quanto desta última pergunta depende da estimativa de safra para o ano que vem??… Voltamos ao ponto de discussão das últimas semanas/meses: qualquer desvio de uma boa/muito boa produção de Arábica do Brasil para o próximo ano vai jogar a relação estoque&consumo a patamares baixíssimos, onde somente o preço elevado matando demanda, poderá equilibrar novamente a equação.

No macro, o dólar pode se tornar outra peça importante de suporte ao mercado no médio prazo. Os índices de inflação no Brasil em Agosto continuam mostrando desaceleração. A anualizada com base julho mostrou o índice em 10,09%, e a expectativa de crescimento chegando aos 2% (bem acima do previsto a alguns meses).

A desaceleração inflacionária do Brasil tem sido ultimamente mais rápida que nos USA/EEUU, o Brasil realmente começa a não somente ser, como realmente parecer ser barato. Ok, concordo…
Temos a eleição chegando e podemos ter um período de instabilidade porém, independente do vencedor, se a turbulência for leve e não afetar a trajetória, o volume de capital entrante para capturar um juro de 13,75% pode ser grande.

Outro risco: o discurso do FED Americano ontem foi mais duro que o esperado, e isto significa que é bem possível que teremos um novo aumento de 0,75 pontos percentuais na taxa básica por lá, jogando um pouco de fervura no fator Brasil. Mas isto não é líquido e certo ainda, pois em Agosto já houve uma desaceleração do índice geral de preços por lá também.
O dólar está fechando perto dos $5,09 reais. O primeiro suporte forte está entre $5,05/$5,06 reais. Tecnicamente deveria segurar pré eleição, porém no câmbio, fatores externos podem muitas vezes ter um peso muito maior.

Para fechar, a maior torrefação americana (J.M. SMUCKERS) dona das marcas: Folger, café Bustelo, Pilon entre outras, anunciou um aumento de 10% em suas vendas líquidas no primeiro trimestre & ano anterior (US$ 54,7 milhões). Importante notar que o volume/mix caiu 14%, enquanto preço contribuiu com +24%.

Boa semana à todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.