O mercado fechou sexta-feira em 218,10 centavos base dezembro, um pouco abaixo dos 221 centavos da semana passada.

O inverso dezembro-março continua bastante acentuado na casa dos 10 centavos… ou seja, zero incentivo para qualquer um carregar café.

Os estoques certificados estão chegando perto dos 400 mil sacas, caindo praticamente 200 mil sacas no último mês. Neste ritmo, em teoria, em dois meses os estoques certificados acabam. Somente os cafés brasileiros poderiam suprir algum volume de certificação neste momento… e não estamos nem falando que certificação no momento não encaixa contra os níveis de preços no mercado interno. Estamos falando da grande dificuldade de gerar este volume, mesmo se o financeiro tivesse encaixe.

Apesar dos diferenciais de Centrais e Colômbia terem tido uma leve melhora, ainda estão longe também de níveis financeiros de certificação. Ou seja, olhando somente por este prisma, NYC teria que subir para começar a atrair certificação.

Mas sabemos que o mercado tem muitas variáveis e não somente o problema dos estoques certificados. Temos a fuga da liquidez dos fundos, a alta dos juros (sim… para financiar posições de risco e estoques), e incertezas quanto ao consumo perante uma possível recessão nos países consumidores.

Também esta semana tivemos o report dos estoques ECF (Europa), e basicamente inalterado mês a mês, ficando em 13,98 milhões de sacas (uma pequena queda em Robustas e um pequeno incremento em Arábica natural).

A partir de agora começamos a ter temperaturas em queda no hemisfério norte e poderemos observar melhor a sazonalidade de consumo, bem como se os embarques Brasil também terão um volume menor. Um ritmo menor de embarques do Brasil, com uma manutenção (em média móvel de 3 meses) dos estoques ECF e GCA poderá realmente sinalizar problemas no consumo (principalmente no EEUU com o custo da energia).

No macro econômico, as incertezas também continuam. Os últimos indicadores econômicos no USA continuam sinalizando um ritmo razoavelmente forte da economia, o que possivelmente levará o FED a subir mais 0,75 pontos percentuais a taxa básica de juros.

A brincadeira começa a ficar cara nos USA para financiamentos (seja de uma residência ou para comprar café). As taxas para compra de casas, dificilmente se acha por menos de 5,5% (e com forte tendência de chegar a 7% até o final de ano), e qualquer capital de giro não fica menos de 8% (dependendo do cadastro positivo). A taxa básica chegando perto dos 5% com certeza vai continuar atraindo muito capital e, se de um lado o dólar forte ajuda nas importações, uma economia em recessão não vai ajudar a consumir estas importações. O FED Americano demorou para ministrar o remédio e provavelmente vai errar no tamanho da dose.

Clima: Pelo menos choveu no Brasil (solidariedade aos atingidos pelo granizo histórico no sul de Minas Gerais) e tivemos uma florada muito boa… e quem sabe terminamos com um bom 22!!

Boa semana a todos!!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.