O mercado fechou sexta-feira base Dezembro, em 197,25 centavos, com uma queda de 20 centavos frente ao fechamento de sexta-feira retrasada em 218,10 centavos.
Uma semana que fez toda a diferença em termos de percepção (pelo menos no curto prazo) de um forte aperto de oferta.
Nada mudou na questão macro… pelo contrário, os índices de atividade econômica nos USA continuam indicando mais um aumento de 75 pontos percentuais na taxa básica de juros. Custo da energia e inflação geral não cedem na EEUU (vai seguir mesma política de juros dos USA), o aumento do tom nuclear na guerra da UCRÂNIA e, para finalizar o “momento país emergente“ da Inglaterra, de total desencontro na política econômica da nova Primeira Ministra, que levou esta semana à demissão do Secretario do Tesouro (durou pouco mais de 1 mês). Ou seja, a conjuntura continua mostrando um cenário recessivo pela frente como tendência.
O que mudou, e de certa forma foi uma surpresa, foi o volume de café embarcado em Setembro, com 3,39 milhões de sacas, cerca de 20% acima do mês anterior. Podemos inferir que ainda temos atrasos de embarques, cafés futuros que foram entregues, etc, etc… mas na verdade este número já fez o inverso que estava em quase 10 centavos derreter para 4 centavos. O próprio ritmo de queda dos cafés certificados teve uma boa freada esta semana. O mercado começa a olhar e dizer… talvez a safra não foi tão ruim assim e, com um cenário macro em deterioração, vamos ver os specs com menos medo de apostar em níveis mais baixos, sabendo que o torrador não vai estar tão valente de começar a precificar com vontade.
Na verdade, o Brasil tem pouco mais de 2 meses para impactar este mercado com um volume menor de embarques, pois final de Dezembro e Janeiro já vamos observar a entrada de Centrais, Colômbia e Vietnam.
Caso os diferenciais dos lavados continuem firmes, podemos até ver o cenário que comentamos alguns meses atrás, com a contínua queda dos estoques certificados junto com uma queda de NY. Podemos ver o mercado batendo um 175 centavos e mantendo uma leve inversão.
Neste cenário, a pergunta será: “em que nível os torradores vão entrar comparando NY para tirar proveito do inverso/preço fixo, olhando um cenário recessivo”??
Não precisa muito para este cenário começar a tomar forma. Basta talvez mais um mês de embarques nestas faixas de 3 milhões acima, e um aumento de 75 pontos na taxa básica nos países consumidores do hemisfério norte.
Mesmo que os números estiverem corretos sobre a safra brasileira, e tivermos uma queda abrupta de embarques mais para frente, um forte aperto no fim do primeiro e segundo trimestre em 2023 pode não ser o suficiente para puxar o mercado se a safra 23/24 se desenhar de maneira bem satisfatória. Claro, vamos ter períodos de volatilidade no próximo inverno como sempre, mas a tendência não será positiva.
O mercado poderá novamente testar a baixa perto de 190 cents, mas precisamos voltar acima de 202 para retomar o canal de preços “de espera“.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.