O mercado fechou sexta-feira base Dezembro em 190,90 centavos e, nesta ultima semana, perdeu 7 centavos frente a sexta retrasada (197,25 centavos). Em duas semanas o mercado perdeu mais de 10%.
No nosso papo da semana passada, já havia “pintado um clima“, e não era lá muito positivo. O mercado voltou a testar os 190 centavos, basicamente o mesmo “chão“ da última sapecada que tivemos este ano. O aumento de interesse de venda na posição de Dezembro começa a colocar uma certa pressão no inverso Dezembro-Março, e gostaria de reforçar uma certa pressão, mas não ainda um derretimento, pois continuamos com 5 centavos de inversão.
Carregar café continua sendo um oneroso fardo financeiro, e os estoques certficados voltaram a cair, timidamente, porém já estamos abaixo de 400 mil sacas. Continua sendo o café (dentro do seu padrão de qualidade ) mais barato no mercado.
Cafés semi washed Brasil, e lavados Colombianos e Centrais continuam acima da paridade de entrega, mas o bom volume exportado do Brasil, acendeu o sinal de alerta. O mercado está nos dizendo, que agora está com um olho no molho e um no peixe, pois com uma demanda ainda instável, exportadores podem e vão começar a dar descontos nos diferenciais equivalente a pelo menos o custo da rolagem, se não conseguirem achar tomador no físico para o mesmo.
O que acontece é o seguinte: vai chegando o dezembro… se o mercado não começar a tomar este café, ou o exportador rola a posição tomando 5 centavos na cabeça, ou simplesmente desiste e entrega para a bolsa (dentro da qualidade padrão)… e ai…voltariam a aumentar os certificados.
Acreditar eu não acredito… porém se você pensar em 3 milhões de sacas de exportação achar umas 200/300 mil de semi washed para entregar… porque não?
No nível atual de mercado, seria preciso um derretimento muito forte de Colombianos e Centrais para impacto ainda maior no no Dezembro, mas se o Brasil tiver mais um mês forte de embarques, e os diferenciais de Brasil começarem a enfraquecer (todas as qualidades) poderemos ver alguma melhora nos diferencias deles… e aí a demanda pode achar que, em termos de qualidade, melhor pagar um pouco mais para café novo do que receber“ o que sobrou “estoques certificados”… e aí novamente, teríamos um impacto de zerar as quedas dos certificados…
Eu sinceramente, não acredito que isto aconteça para desenrolar o inverso no Dezembro, mas pode ser o suficiente para manter o mercado sob pressão, se os diferencias brasileiros enfraquecerem.
Temos também que olhar as posições dos especuladores que estavam com posição comprada no inverso e esperavam cacifar um bom prêmio e agora estão vendo o prêmio diminuir também… começaram a desenrolar parte das posições com esse risco (que na verdade é um risco de volume forte de embarque Brasil e uma demanda ainda estatisticamente oscilante). Ou seja pessoal, o Brasil precisa embarcar um volume menor no Outubro e os diferenciais do Brasil precisam se manter “caros“ para sustentarmos o “deficit” Brasil como verdade.
Precisamos contar ainda, com a sazonalidade da demanda voltando com a chegada do inverno no hemisfério norte… para que o “deficit“ global também se mantenha como verdade.
Acho muito difícil vermos no momento o torrador entrando forte no mercado com o aumento de juros, aumento de custos em geral, e possível recessão. Honestamente, não acredito que temos uma queda geral de consumo globalmente… mas que o torrador vai ser bem disciplinado em suas escolhas e riscos financeiros, isto podemos ter certeza. Observar o 2 na frente da telinha ainda é absolutamente factível, mas temos que reconhecer que o mercado está mais vulnerável a cair mais 10%.
Nem tudo se moveu contra. O último relatório dos estoques nos portos americanos (GCA) mostrou uma pequena queda, tudo dentro de uma sazonalidade normal. Também importante frisar relatório da associação nacional de café dos USA, indicando que nunca na história, tantos jovens estão bebendo café como hoje em dia. Ótima notícia, considerando o cenário de longo prazo e a capacidade e resiliência do produtor brasileiro, de continuar melhorando a produtividade e a qualidade dos cafés aqui produzidos.
Não precisamos de intervencionismo… precisamos de um contínuo crescimento do consumo, com qualidade e sustentabilidade. Sempre lembrando que sustentabilidade econômica é um pilar muito importante, então esperamos que o patamar de juros de custeio volte logo a níveis aceitáveis.
Esperamos ver o 2 novamente na frente da telinha! (junto com o 22)
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.