O mercado fechou esta sexta-feira em 377,85 centavos, base Março, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 347,55 centavos. Mais uma semana exuberante em NY.
Os Fundos continuam a aumentar suas posições compradas e pasmem… o mercado segue para 400 centavos (não duvidem… faz tempo que está sob comprado e continua a subir).
Velho ditado do grande Robert Rubin: nunca lute contra uma tendência! Até que ela deixe de ser.
Queimei a língua nos certificados. O Brasil sim ficou caro, e os certificados começaram a diminuir, caindo para 885 mil sacas. É interessante… o mercado chegou a 380 centavos com:
● os diferenciais brasileiros estreitando (Brasil caro);
● spread entre os meses aumentando… carregar café se tornou uma arte;
● a arbitragem indo a 120 centavos entre NY e Londres… se falta café porque Londres ficando?
● as exportações batendo recordes… a demanda não deve estar caindo… o milagre da inelasticidade do café…
● ahh, mas os estoques estão muito baixos! Estão? Considerando os juros atuais e uma possível queda de demanda…
Sigo ao pé de letra o mestre Robert Rubin, porém parte das variáveis me dizem que o mercado continua firme, parte me diz é uma daquelas oportunidades únicas de venda… não posso ficar sem um direcionamento! Logo pedi ajuda ao meu programa de IA!!!… ele me deu todos os riscos… mas indicou compra !!! (ok, ok, a base de dados do meu programa de IA não está atualizado para os últimos meses… isto pelo menos ele foi honesto comigo).
Minha pergunta: os Fundos detém a rédea… quantos algoritmos deles já não usam IA como parte das parametrizações??
Macro/Dólar: tudo como esperado. Aqui o BC elevou em 1 ponto a taxa de juros, o FED manteve a taxa estável, e o BC Europeu diminui em 25 pontos (reflexo das dificuldades econômicas na Franca e principalmente Alemanha).
Lá fora o reality show Trump 2 continua de vento em popa. Deportações, algemas e tarifas. Interessante como tudo no fundo é regido por oferta e procura, e motivação econômica e oportunidades sempre predominam. O aumento das deportações (pelo menos publicamente), envio de militares para a fronteira, briga entre governos etc… certamente levou a um impacto desejável para o governo americano: as pessoas estão pensando duas vezes agora em investir para uma travessia perigosa, com riscos de serem deportados já na porta. Com isto, os “COYOTES“ (é verdade…notícia em jornais americanos) já estão lançando promoções: pelo preço de 1 travessia, você terá direito a mais duas grátis caso seja deportado no período de 6 meses!!
Para muitos economistas, a imposição de novas tarifas tende no curto/médio prazo fortalecer a economia americana, estimulando a manufatura interna. Junto com o corte de impostos trás mais liquidez ao mercado, em teoria aumentando o consumo. Você pode começar a aquecer a economia a tal pontos de gerar mais inflação. Por este motivo, o FED mostrou cautela em manter a taxa básica de juros. Outro fator importante para observarmos é o tamanho e extensão das tarifas. Tarifas direcionadas, como para produtos farmacêuticos, semicondutores, ou seja, para uma pequena gama de segmentos tem um efeito muito diferente de você enfiar 25% em tudo.
O México é um grande exportador de frutas e vegetais para os EUA. Inflação direta na mesa.
O Canadá exporta minerais e petróleo.
O decreto assinado pelo Trump neste sábado coloca 25% de tarifas em produtos Mexicanos e Canadenses (10% em petróleo) e 10% em produtos Chineses. Os três são os maiores exportadores para os EUA. Os EUA são os maiores importadores de produtos manufaturados no mundo. Tarifas altas em todos segmentos com certeza vai gerar uma redução de atividade econômica, principalmente no México… a economia fica fraca… e mais fuga para o Dólar, mais desemprego, e mais imigrantes tentando atravessar a fronteira.
Durante o Trump 1, mesmo com a imposição de tarifas, a balança comercial só piorou. O consumo era maior do que a capacidade de produção local…continuaram a importar. Você enfia 25% nos carros e peças vindas do México…logo seu carro vai ficar mais caro nos EUA… você enfia tarifas na China… o carro de lá fica mais caro… só que… o carro Coreano continua sem tarifa… o que o consumidor faz?? Vai compras Coreano, Alemão, etc. Ai você e precisa impor tarifas a todos… que em retorno vão enfiar tarifas em você. Os carros vão ficar mais caros, e as áreas exportadoras vão perder mercado, inflação com recessão!
Por aqui tivemos uma semana relativamente calma. Relativamente… no mesmo dia que o BC aumentava a taxa de juros em 1 ponto (13,25% e muito provavelmente vamos chegar a 15,25%), a ABRAS (associação dos supermercados) anunciou que a inflação dos alimentos em 2024 na verdade foi de 15%.
O Dólar tem segurado o suporte a $5,80. Continuo com a mesma opinião de segurar o canal entre $5,80 e $6,20 no curto/médio prazo.
Após a Argentina cortar o juros básicos lá em 3 pontos, o Brasil se tornou o país com a maior taxa de juros descontada no mundo… mais uma vitória! Não dá para a turma lá de fora não dar uma apostadinha neste spread de quase 10% de juros, não é? Só não furamos $5,80 porque nosso amigo Powell deu o recado: to de olho!
Mas não se supreendam furar os $5,80 em Fevereiro, para depois voltarmos com os dados de inflação de Março e Abril e o Real novamente se desvalorizar.
O Dólar neste canal deve ter uma influência modica em NY. Segundo vários analistas competentes o Dólar está sob valorizado, porém a economia americana ainda está em terreno sólido, pelo menos em comparação a outras.
É como café… e a coragem para vender. Mas atenção aos efeitos de longo prazo de Trump 2… o Dólar pode não resistir.
Nos fundamentos, como já disse não vou comentar em números específicos, nem no da CONAB. Vou comentar que na média as últimas estimativas (lembrando que temos bastante gente no campo e novas estimativas logo devem aparecer) indicam uma média de 61 milhões de sacas de produção para 25/26.
Simples… não se supreeendam com números de 65 milhões ou até um pouco acima começando a aparecer. É muito? É pouco? Aí vai depender da demanda… o que não e fácil medir.
Não sabemos exatamente o impacto de aumento de preços no Oriente Médio e Ásia, e por sinal em muito emergentes (mesmo por aqui). Por isto que sempre gosto de olhar os relatórios trimestrais das grandes indústrias, porque no fundo quando somadas, elas devem ter uns 30% do consumo mundial (em seus diferentes formatos). É um termômetro.
NY até agora nos diz: sem problemas (ou melhor…muitos problemas).
Mas… em demanda mundial e números de safra, cada um acredita no que quer… ou no que os outros querem que vc acredite.
Certas boas oportunidades não aparecem sempre. Quais cenários são possíveis para 25/26, 26/27 e 27/28 com os preços atualmente neste níveis e viveiros com demanda tomada e Trump 2????
Boa semana a todos!
Joseph Reiner