O mercado fechou sexta-feira retrasada em 403 centavos, base Dezembro, e nesta sexta-feira em 392,05 centavos. Foi uma semana de um pouco menos volatilidade, e também um volume menor de contratos negociados na Bolsa.

Os estoques certificados continuam a cair, rumando para as 400 mil sacas em NY. Mesmo até agora, com a normalização das chuvas, tanto aqui como no Vietnã, o clima vai continuar sendo fator, pelo menos até o incio da próxima colheita Brasil (veranicos e geada). A normalização das chuvas no momento, foi o primeiro passo importantíssimo para o “pegamento“, mas foi o primeiro passo. A criança leva nove meses para nascer saudável! Até lá, os estoques continuam muito estreitos para o Arábica.

O inverso na 1ª posição continua na faixa de 20 centavos, e mesmo de olharmos o Março-Maio, estamos em 15 centavos. Uma migração dos blends de maneira forte para o Robusta não ocorreu, pois a arbitragem NY-Londres continua na faixa de 180 centavos. Sabemos na resistência do produtor em vender em Dezembro, e muitos viajam no início de Janeiro. Um fator importante, caso a tarifa sobre o café caia e a demanda reprimida americana entre em cena. Só um detalhe… continuamos a exportar quase 4 milhões de sacas todo mês!
Do lado da demanda, termos na média global, um consumo achatado… uma vitória contra uma alta de preços históricos. Mantermos ali na faixa de 175 milhões de sacas o consumo neste ciclo de alta, mesmo com todos os desbalanços de vai e vem de tarifas e EUDR, que manteve o mercado físico bem remunerado.

Olhando para a frente podemos observar que o mercado em geral continua olhando café como um bom investimento.
A grande negociação da compra da JDE (por aqui nosso café Pilão, Caboclo entre outra marcas) pela KDP (Keurig) por US$18,2 bilhões, já gerou a injeção de dois Fundos privados na faixa de UD$7 bilhões. A KDP não terá grandes dificuldades para bancar a aquisição.
Os últimos relatórios do Starbucks também mostram uma forte recuperação nas margens, com a implementação da estratégia que inclui o fechamento de mais de 600 lojas e a melhoria dos serviços e atendimento. Em geral os relatórios das empresas mostram um forte crescimento de consumo de cafés gelados e bebidas a base de café enlatadas e engarrafadas.

Apesar da pompa e retórica vitoriosa de Trump em seu giro pela Ásia, de real mesmo para o Dólar e a economia americana, quase nada. De concreto mesmo, só promessas de revisão das atuais tarifas sobre o café no Brasil e no Vietnã.
Com a China, simplesmente voltou ao “status quo“ de Maio. A China vai retirar as restrições sobre as exportações de terras raras (mas somente por 1 ano), como também prometeu comprar mais soja americana (isto também já vimos no passado com apenas compras simbólicas).
Trump em retorno, retorna as tarifas para uma média de 47%. Ou seja, pouco mudou.
A economia americana estruturalmente é mais resiliente que a economia chinesa, porem Xi não tem eleições ano que vem. As últimas pesquisas indicam um alto índice de desaprovação da população americana, com a política econômica de Trump (37% de aprovação).
A América corporativa vai muito bem (vide a bolsa de valores), a América classe A e B+ vai bem (impostos baixos proporcionais), porém o resto ainda não está satisfeita com o custo e vida.

O mercado também torce o nariz para o contínuo déficit estrutural nos EUA, com as notas do tesouro ficando continuamente acima dos 4% (nas de vencimento com 10 anos). Esta é a esperança que Trump comece a rever sua politica tarifária, principalmente no café. Se isto acontecer, vai trazer uma demanda reprimida de cafés brasileiros, que no mínimo, farão os diferenciais estreitarem.

Como esperado, o FED cortou em 0,25 p.p. a taxa de juros por lá. Um novo corte em Dezembro ficou no momento, na melhor das hipóteses, em 50% de chances.

Por aqui… bom por aqui a coisa é dinâmica mesmo. Mal Lula voltava todo pimpão da Ásia, apenas com o “pequeno” deslize de chamar traficante de inocente, chegou por aqui com 121 inocentes a caminho do “céu“. Com suas Ministras indo no velório dos inocentes, e nenhum Ministro presente no enterro dos soldados do BOPE. O que ele menos esperava foi o surpreendente apoio da população (inclusive as que vivem nas comunidades) a iniciativa policial. O que na primeira hora parecia um desastre, logo se tornou algo mais parecido com “O Império contra ataca“. Isto provavelmente vai acelerar o governo a pautar novas benesses como o transporte público gratuito (que vai custar cerca de 200 bilhões).
A inflação de serviços e alimentos continua resiliente (e pesa mais nas classes C e D), e essa politica de gastos deixa o BC de mãos atadas para a redução dos juros estruturais. Afinal o Brasil está com uma taxa de desemprego baixíssima, mas não esquecemos que ai você não conta a turma toda que está nos “bolsas“ .

Estruturalmente, tanto o Dólar como o Real tem problemas à vista, olhando o longo prazo. O problema é que não temos nenhuma outra economia/moeda voando baixo.
O spread de juros continua muito favorável para o fluxo de dólares entrando, mais ainda com pouca volatilidade no câmbio.
O mercado parece precificar esse equilíbrio ali na faixa dos R$5,40, oscilando um pouco, de um lado ou de outro, dependendo de quem fala a besteira da semana.
De maneira geral, o Dólar parece “precificado” no atual cenário na faixa de R$5,40. Só lembrando a mediana das previsões dos bancos indicam um câmbio de R$5,45 para o final de ano.
NY parece estacionado no patamar perto dos 400 centavo. Se a tarifa sobre o Brasil cair, tira a pressão dos certificados, mas joga a pressão para o físico Brasil (que provavelmente volta por um tempo a ser o Arábica mais barato).
De um jeito ou te outro a remuneração em Reais ao produtor deve continuar atrativa entrando dentro do 1° trimestre 2026, mas temos que lembrar que, em tudo seguindo o cenário atual, teremos uma boa safra em 2026 (lembrem pessoal… os outros países também cresce a produção e exportação), então as oportunidades de capitalizar nos próximos meses não devem ser perdidas!

Quero aqui comunicar à todos que estarei me afastando deste semanal, por um período ainda não definido, mas deixo forte abraço à todos que sempre reportam satisfação nas leituras.

Ótima semana a todos!
Joseph Reiner