Ainda de lado, o Arábica continua dentro do range 277-300 c/lb, com alguns deslocamentos para cima sem força para subir e sem força para cair. Essa indecisão mostra a insegurança do rumo do café ainda com aperto de oferta disponível e o fluxo ainda uma incógnita para o mercado, somada a safra grande que vai entrar. O suporte mais importante no arábica é o 277 c/lb, o rompimento poderia entrar pressão forte vendedora.
A migração do volume para o contrato de Julho foi suave, sem grandes surpresas, veja gráfico abaixo:

O Robusta como eu disse nas semanas anteriores, rompeu importantes suportes e agora busca os 3.150 USD/Ton, na minha opinião o mais importante suporte nesse momento, o rompimento poderia mostrar aumento de pressão vendedora na bolsa.
Com estoques altos ainda de Conilon no Brasil e a safra chegando com várias regiões já colhendo, os fundos já viraram para vendidos nas posições líquidas como reportado na sexta-feira, embora ainda oscilem semanalmente entre posições líquidas compradas e vendidas.
Ao contrário do Arábica que os fundos não comerciais já subiram posição líquida comprada em 10 mil contratos de fevereiro até hoje.
A migração do volume de contratos de Julho no Robusta também foi tranquila, sem grandes surpresas no preço, veja gráfico abaixo:

Dólar segue em queda, as tensões geopolíticas geram volatilidade e mantêm o câmbio sensível. Como o café é precificado em dólar temos uma desvalorização da saca em Reais no mercado interno.
As previsões de safra continuam altas, algumas revisões elevaram mais a média que já era alta.
Primeiras previsões apontavam uma média de 71,4 milhões de sacas, 47 milhões para Arábica e 24,4 milhões para Robusta, Nas segundas previsões as médias aumentaram para 75,5 milhões de sacas, 50,1 milhões para Arábica e 25,4 milhões para Robusta.
Cruzei essa informação com os dados reportados pela CONAB sobre o tamanho do parque cafeeiro brasileiro.
A CONAB relata que o Brasil tem um total de 2,3 milhões de hectares em café, aproximadamente 1,9 milhão em produção e 400 mil hectares em formação.
Para ser mais específico, no Arábica aproximadamente são 1,55 milhão de hectares em produção e 341 mil hectares em formação, no Robusta são 386 mil hectares em produção e 55 mil hectares em formação.
De acordo com o agrônomo Régis Rico: tivemos chuvas substanciais, clima favorável, várias lavouras vieram de esqueletamentos e podas, somado à outras que não foram podadas ano passado por conta de mercado, além de vários plantios novos que talvez nem estão ainda na conta da CONAB e que já irão produzir a primeira safra esse ano, tanto no arábica quanto no conilon. Soma-se a isso, um incremento de tratos culturais (mais investimentos em nutricional e fitossanitário) que elevou a produtividade nos últimos 2 anos.
As previsões de safra mostram uma realidade cada vez mais aparente.
De acordo com o número da área relatada pela CONAB e se o Brasil produzir o que mostra a média da primeira previsão, 47 milhões de sacas no Arábica, para um total de 1,55 milhão de hectares, daria uma média de 30,3 sacas por hectare em produção, o número me parece muito aceitável para uma média de safra boa como se espera. Além de áreas que nem estão reportadas ainda.
No Robusta, 24,4 milhões de sacas para 386 mil hectares em produção daria um total de 63,1 sacas por hectare, o que me parece ser um número bastante razoável tal como o Arábica.
Talvez as previsões iniciais estejam subestimadas e as segundas revisões estão mostrando isso. O Brasil tem um potencial enorme.
O produtor em si continua pessimista em grupos e rodas de conversa, mas ao que tudo indica não há preocupação relevante no campo para a safra 26. O café já está formado na árvore, próximo do ponto de colheita, com bom desenvolvimento e rendimento esperado dentro de uma normalidade positiva para melhor.
Na tela nada muda pouca coisa acontecendo, mas fora do terminal a safra já está praticamente definida.
O mercado hoje parece olhar mais para o curto prazo preso à restrição de oferta disponível, enquanto a realidade da nova safra avança de forma consistente. O fluxo da safra nova já aparece nos diferenciais que começam a mostrar uma normalidade esperada.
Se esses números se confirmarem, o Brasil terá uma das maiores safras da sua história, com produtividade equilibrada entre Arábica e Robusta, boa condição de colheita e preços ainda muito lucrativos.
Boa semana,
Gustavo Matias
MCT | Matias Coffee Trading
Instagram: @matiascoffeetrading
*Não é recomendação de compra ou venda
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Dias 4 e 5 de maio, das 9h às 16h
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*Teremos o curso de Como funciona a bolsa e o preço do café, dia 30/abr, das 08:30 as 12:30h
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