O Arábica segue sem direção clara, sem força para cair e sem força para subir, tudo que sobe em uma semana devolve na outra, o fechamento da sexta-feira (27) a 301,70 animou os produtores e deu uma esperança de que o mercado se manteria acima de 300 cents/lb mas devolveu a alta durante essa semana encerrando a sexta-feira dia 3/abril a 295,40 c/lb.
O Robusta caiu também, com menor liquidez no contrato de Maio, já negocia majoritariamente na tela de Julho. Fechou a semana a 3.346 USD/Ton, e mesmo com qualquer reação de alta o físico não acompanha mostrando um grande enfraquecimento do mercado comprador de Robusta.
No físico em ambos, houve pouco repasse dessa alta para o produtor. Os diferenciais seguem se ajustando devagar para baixo e o mercado continua bastante seletivo.
Continua a saga: para quem precisa comprar existe um preço e para quem pode esperar é outro. O índice CEPEA fechou a semana em R$ 1.870,64 para o Arábica e R$ 937,13 para o Robusta.
Com a safra nova se aproximando, a tendência é de normalização das ofertas. Enquanto isso, o mercado ainda disputa os lotes remanescentes da safra 2025, mas já com sinais claros de menor agressividade por parte dos compradores. A sensação é de um mercado mais cauteloso, menos disposto a pagar prêmios elevados como vimos nas semanas anteriores.
O dólar recuou 8 centavos ao longo da semana, fechando em R$ 5,15. As tensões geopolíticas seguem no radar e mantêm o nível de aversão ao risco elevado, mesmo sem gerar movimentos extremos no câmbio.
Nas últimas semanas, tenho conversado com produtores de diferentes regiões e um ponto tem chamado bastante atenção. Mais do que volume de produção, existe uma percepção crescente sobre a qualidade dessa safra, especialmente em relação ao peso do grão.
O grande destaque da safra 2026 pode não ser apenas o tamanho dos grãos, mas principalmente a densidade. Grãos mais pesados significam maior rendimento por volume colhido, o que na prática pode elevar a produção efetiva em peso acima do que as estimativas iniciais indicam.
Isso é relevante porque o mercado normalmente trabalha com números médios de produtividade, o resultado final pode surpreender muito. Não necessariamente em área ou número de pés, o que por si só já nos mostra um aumento expressivo, mas naquilo que realmente importa: quantidade de café comercializável em peso.
Se não houver nenhuma intempérie climática relevante nos próximos meses, esse cenário ganha ainda mais força. Uma safra cheia, com bom enchimento de grão, tende a pressionar o mercado quando esse café começar a entrar de fato no fluxo.
O mercado hoje ainda carrega um prêmio de curto prazo, sustentado por fluxo mais restrito e percepção de risco. Mas à medida que a safra nova se confirma e começa a aparecer, esse prêmio pode ser rapidamente ajustado, como já observado nos diferenciais para negócios futuros da safra 2026.
Em um cenário de normalização de fluxo e confirmação de uma safra grande, não seria estranho ver o mercado buscando níveis mais próximos das médias móveis mais longas. Isso colocaria o arábica em torno de 180 c/lb, o que, considerando o câmbio atual, poderia levar o preço físico para próximo de R$ 1.000 por saca.
No robusta, um movimento semelhante poderia levar os preços para a faixa de 2.550 USD/ton, trazendo o físico para algo próximo de R$ 700 por saca.
Não se trata de previsão, mas de uma leitura de ajuste possível dentro de um cenário onde a oferta volta a ganhar protagonismo após anos de maior restrição de oferta. O mercado já mostrou diversas vezes que consegue sair rapidamente de um ambiente de aperto para um de conforto, especialmente quando o fluxo físico se normaliza.
O ponto central é que o mercado hoje ainda discute expectativa, mas em breve passará a lidar com realidade. Quando isso acontecer o preço deixa de responder à percepção e passa a responder ao volume disponível.
Diante desse cenário, a discussão deixa de ser apenas para onde o preço pode ir e passa a ser como se proteger desse movimento.
O produtor por natureza já está comprado. Ao optar por não vender, assume uma posição direcional no mercado. Isso pode gerar ganhos em determinados momentos, mas também expõe a riscos relevantes quando o ciclo muda.
Por isso o momento exige estratégia. Buscar ferramentas de hedge, travas parciais e gestão de risco passa a ser fundamental.
O mercado não avisa quando vai virar e geralmente acontece rápido.
Boa semana,
Gustavo Matias
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