O Arábica continua de lado, o preço se recusa a sair do range 277-300, mercado fechou a semana em 286,40 c/lb, semana passada fechou a 294,90 c/lb, queda de 2,88%.
Preços do Arábica na saca vem sendo negociados em R$ 1.830,00 livre ao produtor, esse preço paga quem precisa de fato comprar café para os compromissos, e quem fez boas vendas em diferenciais recentes e consegue remunerar melhor o produtor. O indicador do CEPEA mostra um valor um pouco menor, R$ 1.761,57 para Arábica tipo 6.
O Robusta no mesmo ritmo do Arábica não sai do lugar, até experimentou uma reação semana passada, mas essa semana já devolveu tudo e fechou em 3.364 USD/Ton.
No Robusta o preço pago ao produtor está por volta de R$ 860,00, mesmo com reação da bolsa semana passada o mercado não parece estar agressivo nas compras do Conilon, mercado se mantém morno e ainda pressiona o preço para baixo.
O dólar testou o menor nível do ano de 2026, fechando em R$ 4,9563. O dólar continua enfraquecendo globalmente e o Real ganhando força. Investidores estrangeiros mantem o fluxo de investimentos forte no Brasil, com moeda barata e juros caríssimos, a atratividade está forte e deve manter o fluxo. Projeções de grandes instituições já projetam dólar próximo de R$ 4,80. Dólar caindo ajuda e reduzir o preço nominal da saca de café paga ao produtor.
Fiz um gráfico de sazonalidade do Arábica de 1973 até 2026 e pude observar que esse ano estamos com uma queda acumulada de 18,2% somente no ano de 2026, apenas na bolsa do KC, sem considerar o dólar que caiu quase 10%.
O mês de fevereiro de 2026 teve a maior queda média acumulada desse período de 1973 até 2026, somente no mês foram 17,1% de queda.
O gráfico de sazonalidade mostra que historicamente esse período do ano tende a ter maior frequência de movimentos de baixa do que de alta, principalmente entre maio e julho.
Obviamente que quem vai ditar isso será o fluxo de café brasileiro entrando no mercado, o clima, e vários fatores que já tratamos aqui nos textos semanalmente.

No valor nominal, de acordo com CEPEA, o café saiu de R$ 2.174,74 para atuais R$ 1.761,57, queda de aproximadamente 19%.
Os diferenciais do Arábica se mantêm firmes em 2026. Para quem não conhece diferencial, ele dita os preços que o mercado está praticando em cada peneira nas exportações e compõem a precificação da bica corrida. Em 2026 saiu do início do ano por volta de -55 e hoje em atuais -16,9, o que está ajudando a segurar ainda o preço apesar das quedas do dólar e da bolsa.

O mercado até pouco tempo, estava ofertando cafés para Julho por volta de +50/+60 para peneiras 17/18, agora o fluxo de negociações está praticando +5 no mesmo 17/18.
Uma diferença de 45 cents menos, isso representa 59 dólares a menos por saca, mais ou menos 295 reais.
Com essa queda abrupta dos diferenciais o fluxo de negociações explodiu, muitos importadores vieram firmes no mercado e compraram o que puderam para repor os estoques que estão baixos, e se mantinham baixos ainda com o diferencial super caro. Quando o diferencial caiu o fluxo de negociações iniciou.
Não só Julho, como Agosto também, houve negociações. O fluxo de entrada de café começa firme a partir de meados de Junho, as cooperativas/exportadoras começam a receber café e prepará-los para essas entregas.
O Brasil tem por volta de 330 mil produtores de café, esse ano, conforme pesquisa minha do dia 15/março, haviam poucas travas futuras, por volta de 18% da safra.
Então esses produtores querem o poder de barganha, ter o café na mão e negociá-los livremente nos compradores, esse volume e esse modelo de negócio que ainda não está prometido o café, deve manter os diferenciais da bica corrida ainda elevados para maio, junho e julho, principalmente se a bolsa cair consideravelmente.
O contrato de setembro está 11 cents mais barato que o de Julho, por volta de 14,50 dólares (aprox. R$ 72,00).
Todo esse risco, mercado invertido, diferenciais negativos, dólar baixo, fluxo de vendas, expectativa de entrada da safra, etc. Tudo está sendo observado e precificado o risco por isso hoje temos uma discrepância tão grande entre o agora e o amanhã que está tão próximo.
O custo de opções baixou consideravelmente, produtores que aprenderam a utilizar as ferramentas do mercado financeiro fizeram suas proteções bem feitas e não dependem de ninguém com suas próprias estratégias para garantir preços remunerativos.
Produtores ficaram machucados com entregas futuras e criaram certa aversão para prometer café em contratos futuros, mas o mercado mostra que cada ano é uma história, commodities são cíclicas e são muito ligadas a oferta e demanda, o Brasil plantou muito café e promete uma safra grande, o ciclo de preço cumpre sua função e desloca o preço de equilíbrio do produto.
O preço do café não é tão ligado a inflação, ou porque tudo subiu e o café também deveria subir, as commodities são negociadas de maneira diferente.
De qualquer maneira, 2024 e 2025 foram muito remunerativos para o produtor, e 2026 ainda se mantém com preço excelente observando o histórico do preço do café em seu valor nominal pago ao produtor.

Como as colheitas já se iniciaram na maioria das regiões produtivas, eu desejo uma boa colheita, muito sucesso e prosperidade a todos os produtores do Brasil.
Boa semana,
Gustavo Matias
MCT | Matias Coffee Trading
Instagram: @matiascoffeetrading
*Não é recomendação de compra ou venda