O mercado fechou esta sexta-feira em 373,05 centavos base Dezembro, contra sexta-feira retrasada em 390,75 centavos. Mesmo com o início da normalização das chuvas em muitas áreas produtoras no Brasil, o mercado continua segurando o suporte perto dos 365 centavos, na 1ª posição.
A safra 26/27 pode estar se tornando mais tranquila com as últimas chuvas, porém os fundamentos da 25/26 continuam os mesmos: balanço de oferta e procura apertado.

O torrador continua a trabalhar com baixos estoques. Na sua vasta maioria, não quer ficar comprado em um mercado muito difícil e competitivo no repasse de preços na gôndola, e com a esperança do mercado ceder, poder ser rápido na recomposição de preços e novamente voltar a briga do market share.
Se algo acontecer e o mercado novamente explodir, pelo menos todos estão mais ou menos no mesmo barco. Resiliência não significa manutenção dos números de crescimento. Resiliência, especificamente em mercados com grande percentual de marcas econômicas e/ou marcas próprias (private label), significa uma briga absurda para tentar ficar no zero a zero.

Para o trade, também acaba virando uma operação de curto prazo. Pelo menos no Brasil, a volatalidade tem permitido ter margem na compra para atender a demanda “da mão para boca“ do torrador, mesmo comprando muitas vezes contra o segundo mês. Com o máximo cuidado de gerir os estoques, e não ficar com café encalhado no destino por problemas de qualidade, e acabar sendo penalizado com o desconto do mercado invertido.

O produtor tem acertado em ter paciência e calma ordenada na venda. O mercado tem sido resiliente… pelo menos até agora.
O produtor sabe que existe o risco do mercado ceder se a safra brasileira 26/27 for grande. Hoje, a Bolsa está dando 50 centavos de desconto entre o Dezembro 25 e o Setembro 26. Dependendo do Dólar, são R$400/saca. Como temos pouquíssimos negócios futuros (pelo menos até agora), existe o risco do mercado ir cedendo até onde achar que o torrador vai se arriscar a ir comprado em escala novamente, e sem base de futuro estabelecida no físico, a arbitragem pode muito bem se manter alta (alto desconto) mesmo chegando perto dos 300 centavos.
É um risco virar um desconto de R$400 em cima de R$1.700 ou invés de R$2.300, já na virada do ano. Mas… e os estoques apertados? Os estoques apertados vão refletir no diferencial no rabo da safra entre as de 25/26 & 26/27, principalmente se tivermos poucos negócios da safra nova de referência, e a turma acreditar na pressão de safra.
Estou só pontuando um risco para o produtor, caso ele queira realmente carregar o seu estoque (ou o que sobrou) para o ano que vem, afinal o exemplo de R$1.700/saca (só um exemplo) pode ainda ser um bom preço em 26 para a safra corrente… mas, não tão bom quanto R$2.300 + juros.
Mas, e se tivermos La Nina e voltarem os problemas de chuvas no Sul de Minas no início do ano e impactar a safra 26/27?? Bom… então o problema do desconto de $400 Reais não vai mais existir.

No macro… bom, no macro começamos a semana com o Dólar perto dos R$5,30 e terminamos perto do R$5,50.
A tensão tarifária EUA & China, que estava em “repouso”, voltou com força na quinta-feira.
A China colocando novas restrições na exportação de “terras raras”, e Trump prometendo retaliações novamente de 100% em cima das atuais tarifas. Se não for somente um “blefe“ da China para uma posição mais alavancada nas negociações, isto pode ser beneficial para o Brasil (na questão tarifária). 100% de tarifas acima das atuais para a China, e não temos como não ter um impacto inflacionário nos EUA. Reduzir as tarifas do Brasil pode pelo menos, amenizar o impacto no café e consequentemente na inflação por lá (pelo menos o sentimento)… o qual foi usado inclusive por Trump como exemplo, no telefone com Lula.

A derrota do governo no congresso na votação da MP da IOF e, na sequência, a “indignação“ de Lula e Taxadd de que vamos arrumar outro jeito de gastar, também não ajudou nada ao Real.
Outro fator de incerteza é o governo americano entrando em paralisia por falta de acordo entre os partidos políticos sobre o orçamento… funcionários começam a ser demitidos, vários órgãos governamentais parando ou parados, e dados sobre economia (e provavelmente USDA) não estão sendo divulgados.

As exportações brasileiras de 3,7 milhões de sacas em Setembro foram até bem razoáveis frente a diminuição dos embarques aos EUA (muito perto da média de 5 anos). O café da Bolsa continua a ser o mais barato para eles, e os estoques certificados vão continuar a cair, enquanto perdurar a tarifação sobre o Brasil.
A safra Brasil atual tem sérias restrições em termos de qualidade e quantidade, a ponto de reverter a queda dos certificados.
Teremos outros destinos, como a Colômbia que vai continuar a comprar o café do Brasil. Segundo informações, a qualidade da safra este ano está muito boa e o percentual de café baixo dever ser na ordem de 5% (informações de lá).
Com um consumo chegando a 2 milhões de sacas e com 750 mil sacas de baixo (safra de 15 milhões), pelo menos 1 milhão e pouco de sacas podemos enviar. Em teoria eles podem exportar até parte do baixo, o que abriria até mais espaço. Porém é um volume que não supre as diferenças de perdas de mercado nos EUA, mesmo adicionando o México.

Segundo as fontes, vontade não falta, mas até agora uma operação “blend Brasil“ e manda para o norte não está ocorrendo. Consideram o risco grande. Para o México deve valer o mesmo.
Então provável o volume se concentre mais em Conilon e cafes GC para México e Colômbia.
Mas necessitamos uma resolução, pois com a safra do Vietnã chegando e a próxima safra brasileira podendo ser grande, a conta vai começar passar do consumidor americano para o produtor brasileiro no ano que vem.

Boa semana a todos!
Joseph Reiner