Café em grãos
Voltar aos relatórios
Comentário Semanal 03 de maio, 2026· 6 min de leitura

Café MCT | Matias Coffee Trading — O fluxo começou… ou só agora fez sentido?

Arábica continua de lado no range 277-300

· 6 min
18px
Matias Coffee Trading · Inteligência de mercado

O Arábica continua de lado, o preço se recusa a sair do range 277-300, mercado fechou a semana em 286,40 c/lb, semana passada fechou a 294,90 c/lb, queda de 2,88%.

Preços do Arábica na saca vem sendo negociados em R$ 1.830,00 livre ao produtor; esse preço paga quem precisa de fato comprar café para os compromissos, e quem fez boas vendas em diferenciais recentes e consegue remunerar melhor o produtor. O indicador do CEPEA mostra R$ 1.761,57 para Arábica tipo 6.

O Robusta no mesmo ritmo do Arábica não sai do lugar e fechou em 3.364 USD/Ton. O preço pago ao produtor está por volta de R$ 860,00; o mercado se mantém morno e ainda pressiona o preço para baixo.

O dólar testou o menor nível do ano de 2026, fechando em R$ 4,9563. O dólar continua enfraquecendo globalmente e o Real ganhando força. Projeções de grandes instituições já apontam dólar próximo de R$ 4,80. Dólar caindo ajuda a reduzir o preço nominal da saca paga ao produtor.

Fiz um gráfico de sazonalidade do Arábica de 1973 até 2026 e pude observar que esse ano estamos com queda acumulada de 18,2% somente em 2026, apenas na bolsa do KC, sem considerar o dólar que caiu quase 10%.

O mês de fevereiro de 2026 teve a maior queda média acumulada do período, somente no mês foram 17,1% de queda. Historicamente esse período do ano tende a ter maior frequência de movimentos de baixa do que de alta, principalmente entre maio e julho.

Os diferenciais do Arábica se mantêm firmes em 2026. Em 2026 saiu do início do ano por volta de -55 e hoje em atuais -16,9, o que ajuda a segurar o preço apesar das quedas do dólar e da bolsa.

O mercado até pouco tempo estava ofertando cafés para Julho por volta de +50/+60 para peneiras 17/18; agora o fluxo de negociações está praticando +5 no mesmo 17/18. Uma diferença de 45 cents menos, isso representa 59 dólares a menos por saca, mais ou menos 295 reais.

Com essa queda abrupta dos diferenciais o fluxo de negociações explodiu, muitos importadores vieram firmes no mercado e compraram o que puderam para repor os estoques que estavam baixos. Não só Julho, como Agosto também, houve negociações.

O Brasil tem por volta de 330 mil produtores de café. Esse ano, conforme pesquisa minha de 15/março, havia poucas travas futuras, por volta de 18% da safra. Esse volume e modelo de negócio sem café prometido deve manter os diferenciais da bica corrida ainda elevados para maio, junho e julho, principalmente se a bolsa cair consideravelmente.

O contrato de setembro está 11 cents mais barato que o de Julho, por volta de 14,50 dólares (aprox. R$ 72,00). Todo esse risco, mercado invertido, diferenciais negativos, dólar baixo, fluxo de vendas e expectativa de entrada da safra está sendo precificado.

O custo de opções baixou consideravelmente; produtores que aprenderam a utilizar as ferramentas do mercado financeiro fizeram proteções bem feitas e não dependem de ninguém com suas próprias estratégias.

O preço do café não é tão ligado a inflação. De qualquer maneira, 2024 e 2025 foram muito remunerativos para o produtor, e 2026 ainda se mantém com preço excelente observando o histórico do preço do café em seu valor nominal pago ao produtor.

Como as colheitas já se iniciaram na maioria das regiões produtivas, desejo uma boa colheita, muito sucesso e prosperidade a todos os produtores do Brasil.

Boa semana, Gustavo Matias — MCT | Matias Coffee Trading.

Publicado em 03 de maio, 2026