O mercado fechou sexta-feira à 154,80 centavos, uma leve melhora frente a sexta-feira retrasada quando fechou a 151,70 centavos. Tecnicamente não foi uma semana ruim, porém o mercado não consegue ter um volume suficiente para chegar aos 164 cents e depois aos 174 cents, duas marcas técnicas importantes para podermos acreditar em uma reversão de tendência. No momento parece apenas um correção do que exatamente uma reversão. Ou seja, infelizmente as puxadas de mercado continuam sendo oportunidades para fixação.
Os estoques certificados tiverem um leve crescimento para perto de 860 mil sacas. Ainda existe um bom volume sendo postado para certificação, porém o percentual de rejeição também tem aumentado. Tivemos também o último relatório do GCA (estoques nos portos americanos) mostrando um volume em Dezembro/22 de 6,38 milhões de sacas (vs 6,39 em Nezembro/22). Mesmo tentando olhar o copo cheio, considerando os embarques de Brasil, entrada safra dos Centrais e Vietnam & uma época de sazonalidade alta de consumo nos USA, não é um número lá muito animador.
Cada mês que passa sem uma alteração significativa de estoques, ou um decréscimo significativo de embarques (i.e. Brasil)… é um mês mais perto da próxima safra brasileira e verão no hemisfério norte.
O câmbio também deu um alento ao mercado no início da semana, chegando a trabalhar abaixo dos R$5,10, mas voltou à casa do R$5,20 após algumas declarações do Presidente sobre a “independência do BC”.
O contrato futuro do dólar ainda está trabalhando abaixo da média móvel dos 100 dias. Se o passado serve de referência, boa oportunidade de compra ou liquidação de dívidas em Dólar. Alguns bancos e investidores internacionais têm se mostrado positivos ao Brasil. Acreditam que a China pós covid vai voltar com um crescimento robusto, o que irá beneficiar muito o Brasil (outro senso de “déjà vu”).
Não é somente isto que anima parte do mercado (repito apenas parte do mercado). Existe a tendência de entrada de muitos fundos “verdes” com a nova política ambiental, uma crença maior na estabilidade Haddad-Tebet para o plano fiscal que será lançado em Abril… e por ai vai… um dólar abaixo de $5 reais… e uns pares de meses de embarques fracos de Brasil pode reverter toda essa tendência mais negativa no momento.
A própria estrutura do mercado ainda mostra que o volume de exposição requer cautela.
Falando em próxima safra Brasil, como vocês todos já devem ter visto, a CONAB soltou a sua primeira estimativa para a próxima safra. Com um total de 54,94 milhões de safra previstos, com 37,4 milhões de sacas de Arábica e 17,5 de Conilon.
O Conilon, na previsão da CONAB é cerca de 500 mil sacas menos que 2022, e a produção de Arábica cerca de 5 milhões acima de 2022.
Interessante que o número de Arábica é muito próximo da estimativa reportada por uma grande exportadora (conhecida por fazer um bom trabalho de previsão) que saiu poucos dias antes, e que no momento estima pouco acima de 40 milhões. Por outro lado também, sabemos que o mercado em sua grande maioria, aponta para números de Conilon acima dos 20 milhões.
Por si só, acredito que os números não causaram um impacto no mercado. Como já comentei com vocês, acredito que a CONAB vem procurando melhorar bastante a sua metodologia de estimativa, porém ainda há muito à recuperar em termos de credibilidade. O mercado olha, anota, mas não considera exatamente como o número de referência.
De qualquer maneira, conversando com alguns operadores, a expectativa ainda é um numero acima dos 40 milhões.
Em 2022 , segundo relatório do CECAFE, o Brasil exportou 35,58 milhões de sacas, cerca de 2,6% abaixo do mesmo número em 2021. A receita for recorde: 9,23 bilhões de dólares. Que possamos ter algo parecido em 2023!
Ainda estamos mais em uma situação de correção do que reversão de tendência! Um olho no gato e outro no câmbio!
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.