O mercado encerrou nesta sexta-feira a 169,90 cents, fechando a semana com quase 15 centavos melhor que o fechamento de sexta-feira retrasada de 154,80 cents.
A primeira resistência ao redor de 164 centavos foi ultrapassada e o mercado segurou bem o teste.

Tecnicamente, ainda estamos em um momento de correção e não de reversão de tendência, até porque nós observamos a entrada de novos compradores com um aumento expressivo nas posições em aberto de compras… porém, se o mercado conseguir romper a faixa de 174/175 centavos, e se manter com um volume razoável acima, ganha bastante força uma reversão de tendência. Até lá, continua sendo uma muito boa oportunidade para fixação.

Importante notar que o mercado continua mostrando que está na defensiva, pois a estrutura continua muito apertada, com o mercado novamente invertido.

Nos estoques certificados, tivemos na semana um aumento do volume apresentado para certificação, porém as rejeições nas certificações também continuam altas. Serão estes novos lotes de café novo, ou novamente cafés postados para recertificação?… os diferenciais continuam caros no Arábica. Tudo isto continua mostrando um cenário de cuidado com estoques.
O mercado só está precisando de combustível… Um mês fraco de embarques do Brasil seria ótimo!

O câmbio continuou dando um bom suporte ao mercado.
Interessante notar que, mesmo sem este possível “combustível“, o mercado mostra que está atento à situação de fornecimento. O que levou o mercado a desmontar nos últimos meses abaixo dos 150 centavos e testar as mínimas foi o contexto macro. O mercado talvez tivesse o direcionamento que a recessão seria mais forte nos USA… que o inverno/crise de energia na Europa seria pior, e somado a isto que a o problema Covid – China teria um efeito desastroso para a economia local. Isto tudo levaria a uma fuga de capitais para os USA com juros altos e consequente transição dos fundos para este investimento, maior inflação e queda geral de demanda (e café estaria neste bolo).
No momento, se tivermos sinais mais positivos da economia, com uma alta de juros menores nos USA, e uma reação econômica pós Covid China, poderemos ver uma nova reversão de fundos para ativos de maior volatilidade (como as commdities).

Nos fundamentos tivemos notícias de atrasos de embarques em Honduras (nada fora do comum, porém mais um problema para novas certificações), bem como a notícia da Colômbia (não era nenhum grande segredo, o mercado já sabia dos problemas) que o FUNCAFE de lá está com um rombo de 120 milhões de dólares. Contratos mal efetuados entre a Federação e os produtores permitiram um volume alto de não entregas por parte dos produtores. Ou seja, continuamos com problemas na América Central e Colômbia.

Outro dia me perguntaram se poderíamos ter algum efeito danoso na produção da próxima safra com o grande volume de chuva e temperaturas médias mais baixas (fora o problemas com fungos). “O calendário de aplicações preventivas e de fertilizantes está seriamente comprometido, colocando em risco o nutricional e fitossanitário das lavouras” afirmou Moisés Alves, consultor da RR Consultoria. “Tudo em excesso faz mal. Estamos no meio da fase de enchimento (granação) dos frutos e no momento mais preocupante pra questão da Broca e várias doenças. Podemos ter surpresas desagradáveis mais adiante com relação à granulometria (peneira) e reserva/enfolhamento para floração” completa o Eng° Agrônomo.

Tecnicamente continuamos em uma correção e não reversão! A decisão nua e crua seria continuar as fixações, mas… para quem pode ter um pouco de paciência, talvez valha o risco de ver como o mercado reage nas próximas 2 ou 3 semanas com a chegada da entrega do Março.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.