O mercado fechou sexta-feira em 397,45 centavos base Dezembro, contra sexta-feira retrasada em 373,05 centavos. O cheiro de sangue na 1ª posição continua fazendo suas vítimas. Começamos a semana com mais de 70 mil contratos em aberto, um volume de estoques certificados caindo dia a dia, e sem vendedores.Nada mudou na situação dos estoques apertados, nada mudou na condição que todo o mercado está funcionando no curto prazo. Com a arbitragem entre a 1ª e 2ª posição em mais de 20 centavos não é supresa, mas convenhamos… a margem para erro é muito pequena. Os estoques certificados chegam perto das 400 mil sacas e continuam a ser o Arábica mais barato para o mercado americano. O mercado interno continua travado, porque além da paciência e resiliência do produtor, todo mercado está travado. O torrador está na mão para boca, o trade vende a necessidade curta, entra no mercado, cobre aquela necessidade e sai. Ninguém está correndo o risco de 20 centavos nas costas. A volatilidade, nos dias de alta, permite compras contra a 2ª e 3ª posições de Bolsa, e esse em geral é única maneira mais segura do trade comprar um pouco mais.Isto coloca ainda mais pressão na 1ª posição, pois o pouco de hedge de venda que poderíamos ter na 1ª posição, está indo para as outras posições. No curto prazo não vejo muita coisa que possa mudar esse cenário. Uma possível negociação das tarifas poderia sim tirar pressão dos certificados (e da 1ª posição), porém apesar das conversas terem atingido um novo patamar , nenhum dos lados aparenta muita pressa. Os americanos vão pedir concessões (ie Terras Raras) que Lula dificilmente aceitará… Londres não tem conseguido acompanhar NY. A arbitragem continua beirando os 200 centavos. A safra do Vietnam se consolida em 30 milhões, e juntando com a safra brasileira de Conilon, e as boas safras de Indonésia e África mantêm a arbitragem pressionada. Tanto por lá como aqui, o clima até o momento tem colaborado para a safra vindoura. Nada é prefeito para todos. Situações de altas temperaturas, perda de florada etc.. que observamos em mídia social são normais. Nos ater agora na média, temos a tendência de boas safras lá e aqui. Lá já em fase final, e por aqui ainda com bastante tempo pela frente até termos certeza… mas o início na média até agora positivo. Várias regiões esta semana saindo a segunda florada. No lado da demanda, vários relatórios continuam mostrando uma estabilidade, na média do consumo. Continuam mostrando dados positivos o consumo de solúvel, de cápsulas, e durante o verão no hemisfério norte o consumo de café gelado cresceu muito. Do outro lado, os mercado onde o segmento econômico e/ou marcas próprias são mais fortes, o consumidor tem sentido o impacto na gôndola. O próprio relatório da Nestlé esta semana, onde explica o mercado a decisão de demitir cerca de 16 mil funcionários globalmente, principalmente pelo fraco desempenho das marcas nutricionais e do mercado Chinês, também mostra os bons resultados das vendas de solúvel e de cápsulas Nespresso. Do outro lado, vários relatórios do mercado brasileiro, com forte presença do segmento “econômico” mostraram a queda no consumo. De interesse um artigo na influente revista americana “The Atlantic“, em que mostra que os americanos vão lutar até o fim pelo seu copo de café, e se torna um exemplo claro e fácil de mostrar dos efeitos negativos de tarifas sem estratégia comercial. No macro, a situação é ainda mais complexa. Com a inflação ainda acima da meta, o volume de novos empregos esfriando, o governo paralisado a quase 20 dias, enormes protestos no sábado contra o governo, o déficit público aumentando, e as negociações com a China em um impasse, o Dólar por si só já tem dificuldade de valorização. Adicione a isto o spread de juros entre lá e aqui, e fica dificil um “rally“ das verdinhas no curto prazo. Claro que por aqui a gente tenta ajudar… com o embate entre os tres poderes, falcatrua atrás de falcatrua, escândalos de corrupção atrás de escândalo de corrupção, e a sensação que nada acontece e ninguém é punido. A sensação que o crime compensa. O governo aqui continua dobrando as apostas nos aumentos dos gastos públicos sociais com vistas a próxima eleição. Exatamente nesse ponto, que lá na frente poderemos ver a verdinha decolar. Uma vitória de Lula com o déficit público sem controle. Imaginem só nos Correios, R$ 20 bilhões. Teria tão bom uso no Agro?? Vale lembrar também que a situação de França e Inglaterra também não está nada boa. Com economias projetando PIB pífios, e um déficit público também fugindo ao controle, tanto Euro como Libra não são lá grandes refúgios. Dólar ainda na média dos R$5,40… o suporte do Real no momento é simplesmente um reflexo da fraqueza do Dólar. NY não deve mudar o cenário. Suporte perto dos 365 e resistência perto dos 420 centavos. Boa semana a todos!*Joseph Reiner*