*Ninguém tem pressa*
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Comentário Semanal 20 de setembro, 2026· 5 min de leitura

*Ninguém tem pressa*

· 5 min
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Matias Coffee Trading · Inteligência de mercado

Gustavo Matias.

Outra semana de queda no Arábica, contrato de Dezembro teve máxima na semana de 292,75 e mínima de 274,60, e fechou a sexta-feira a 280,50 c/lb, queda de 1,82% em relação a semana anterior. Ainda no contrato de dezembro temos acumulado no mês de setembro queda de 9,95%

No físico, de acordo com indicador CEPEA, queda de 3,1% e no acumulado de setembro queda de 11,5%, o índice fechou a sexta-feira a R$ 1.546,58 a saca de 60kg.

O Robusta devolveu a alta da semana anterior e fechou em queda nessa semana, -3,66%. Com máxima de 3.558 e mínima de 3.362, fechou sexta-feira a 3.396 USD/Ton. No acumulado de setembro acumula queda de 3,66% na Bolsa e o indicador CEPEA apontou queda no físico no acumulado de Setembro -5,5%, sexta-feira fechou a R$ 965,79 o 13 acima tipo 6.

O dólar praticamente não saiu do lugar na semana, fechou a sexta-feira a R$ 5,14, contra R$ 5,12 na sexta anterior, uma alta de apenas cerca de 0,4%.

Chama a atenção porque tivemos movimentos importantes de política monetária nos dois países, aqui no Brasil o Copom cortou a Selic em 0,25%, caiu para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve dos EUA fez o movimento contrário e elevou os juros americanos em 0,25%, para a faixa de 3,75% a 4,00%, sua primeira alta em três anos, além de sinalizar possibilidade de novos aumentos.

Em teoria essa combinação favoreceria uma valorização maior do dólar, mas boa parte das decisões já estava precificada e mesmo após o corte o Brasil continua oferecendo um diferencial de juros muito elevado

Por fim tivemos uma semana cheia de notícias para o câmbio mas pouca mudança efetiva no preço.

No Arábica os fundos não comerciais continuaram migrando para uma posição mais vendida e uma mudança importante apareceu no radar, a posição líquida virou para negativa. Na quarta semana de queda na posição líquida os fundos não comerciais estão atualmente com 23.053 contratos comprados e 24.769 contratos vendidos.

Isso nos ajuda a entender um pouco por que o preço nominal da tela caiu tanto.

Em 18 de agosto a Bolsa fechou em 332,45 c/lb e a posição líquida dos fundos não comerciais era de +15.044 contratos, e na terça-feira dia 15 de setembro era de -1.716 contratos e bolsa fechou a 283,65 c/lb, queda de quase 15% na Bolsa de NY em aproximadamente 1 mês.

No Robusta os fundos não comerciais estão diminuindo as posições compradas e aumentando as posições vendidas há 10 semanas seguidas.

A posição líquida dia 07 de Julho era de +44.195 contratos e dia 15 de setembro nessa terça-feira era de +6.917 contratos. No mesmo período a Bolsa caiu de 3.872 USD para 3.481 USD/Ton, queda de aproximadamente -10% na bolsa.

O produtor brasileiro não demonstra grande interesse em vender café neste nível de preço atual. Depois de ter visto a Bolsa de Nova York negociar acima de 340 c/lb poucas semanas atrás, olhar dezembro próximo dos níveis atuais naturalmente reduz o apetite de venda.

Existe também um fator psicológico importante nisso de que nos últimos anos esperar funcionou demais.

Quem segurou café de 2023 para 2024 viu preços melhores e quem segurou de 2024 para 2025 também viu preços melhores.

Depois de duas experiências recentes como essas, é natural que parte dos produtores passe a acreditar que o próximo movimento será parecido.

Esse viés de recência, ligado também a várias notícias de baixos estoques, clima incerto, dúvidas para 2027, qualidade comprometida e volumes indefinidos dá um peso muito grande para aquilo que aconteceu recentemente e começamos a tratar esse comportamento como se fosse uma regra.

O raciocínio acaba ficando simples: se esperar deu certo nas últimas vezes, por que vender agora? Pode funcionar novamente e pode não funcionar também, o tempo dirá.

Do outro lado da mesa existe um exportador bem mais cuidadoso do que há alguns anos, e não é por acaso.

O primeiro semestre de 2026 ensinou algumas lições caras, bem caras, para quem trabalha vendido em diferencial. Para quem havia vendido anteriormente imaginando uma reposição em níveis muito menores, a conta mudou completamente. Nesse primeiro semestre de 2026 vimos a Bica Corrida ser negociada por volta de -5 contra Bolsa. Quem já estava com diferenciais negativos fixados nas vendas e não tinha cobertura física chegou a amargar prejuízos multimilionários.

Além disso, tivemos uma curva extremamente invertida.

A rolagem de posições de dezembro de 2025 para março de 2026 castigou financeiramente. Era necessário administrar diferencial, estrutura da curva, disponibilidade física, hedge e necessidade de caixa ao mesmo tempo.

Vender café para frente e pensar depois eu compro deixou algumas cicatrizes que doem até hoje. E isso trouxe mais consciência de risco.

Hoje muitos exportadores parecem muito menos dispostos a construir grandes livros de venda sem ter uma boa parte da cobertura física mais encaminhada.

Essa é a grande diferença para contratos com entrega para dezembro 26 em diante, a cautela nas posições.

Pelo que tenho observado no mercado e nas minhas conversas e consultorias, os livros de venda para o primeiro semestre de 2027 ainda são relativamente pequenos.

Então, se eu tenho pouca venda para entregar, também tenho pouca obrigação de comprar, posso esperar.

O produtor olha para o preço e diz, não vendo.

O exportador olha para seu livro e diz, não preciso comprar.

E o mercado fica no meio.

Para início de 2027 será interessante acompanhar o fluxo comercial, porque não necessariamente falta café mas também não necessariamente falta demanda.

A safra de 2027 também começa a entrar nessa equação.

As primeiras chuvas e floradas melhoraram a percepção sobre a próxima produção, mas ainda estamos muito longe de saber o tamanho dessa safra porque entre florada e café dentro do armazém existe um caminho enorme.

Mesmo assim essa chuva modifica um pouco a percepção de risco.

Se o desenvolvimento da safra seguir muito bem, talvez o produtor comece a aceitar que carregar todo o estoque esperando repetir os últimos dois anos pode não ser a melhor estratégia.

Por outro lado se aparecer qualquer problema climático relevante, a resistência do produtor tende a aumentar ainda mais.

O comportamento do exportador também dependerá do livro de vendas dele.

Se as vendas para 2027 começarem a crescer, naturalmente a necessidade de cobertura física também crescerá, enquanto isso ele não precisa correr atrás do café desesperadamente.

Nos últimos anos o produtor aprendeu que esperar poderia ser lucrativo.

E o exportador aprendeu que vender sem cobertura física poderia ser muio caro.

As duas experiências produziram exatamente o mesmo comportamento: esperar.

Ninguém tem pressa, pelo menos por enquanto.

Boa semana,

Gustavo Matias

Instagram: @matiascoffeetrading

*Este texto expressa análises e opiniões pessoais e não representa posicionamento institucional da Cooperativa Minasul

*Não é recomendação de compra e/ou venda

Em breve lançarei agenda de cursos para outubro:

- Negócios de Café para iniciantes

- Como funciona a Bolsa e o preço do Café

- Travas financeiras para o produtor de Café

- Precificação e Exportação de Café

- Curso avançado de Hedges e Operações Estruturadas para Café

Inscrições: 16 99291-2005

Publicado em 20 de setembro, 2026

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Comentário Semanal

*Movido por percepção*

Arábica: segue pressionado, com queda de 3,35% na semana e -8,28% em setembro. Robusta: semana positiva na Bolsa, mas o físico continua apresentando queda. Dólar: praticamente estável, com pouca influência sobre os preços do café. Fundos: redução das posições compradas e aumento das posições vendidas no Arábica. Estoques certificados: continuam em níveis extremamente baixos, enquanto os cafés pendentes para certificação começam a aumentar. Clima, exportações e spreads: três fatores que mudaram a percepção do mercado nas últimas semanas e ajudaram a retirar parte do prêmio de escassez. Em resumo: o aperto de oferta ainda existe, mas o mercado começa a enxergar a possibilidade de uma recomposição dos estoques e de uma oferta mais confortável à frente.

13 de setembro, 2026