Mais uma semana com mercado de lado, mesmo com tanta pressão de ambos os lados o mercado está em fase de consolidação buscando uma direção.
No Arábica o contrato de dezembro (Z6) experimentou uma reação essa semana, mas não teve força para continuar subindo, com máxima de 327,55 e mínima de 308,95 c/lb, encerrou a semana em 314,30 c/lb, menos -1,6 c/lb em relação à semana anterior. Praticamente igual.
A média diária de oscilação nessa semana foi de 1.000 pontos aproximadamente.
Na semana o CEPEA indica mínima de R$ 1.750,23 e e fechou na máxima de R$ 1.794,15 a saca de 60kg para o Arábica tipo 6.
No vencimento das opções do KCU6 dessa sexta-feira 14, aproximadamente 15.313 Calls terminaram no dinheiro (ITM) contra apenas 3.970 Puts ITM, uma diferença de aproximadamente 11.300 contratos.
O comprador de uma Call exercida recebe uma posição comprada (Long) no futuro KCU6 e caso não queira permanecer no contrato próximo ao período de entrega (FND), precisará vender U ou rolar para Z, podendo gerar fluxo vendedor.
Geralmente o vendedor dessas Calls, normalmente dealers ou market makers, tende a chegar ao vencimento com delta-hedge pronto, comprado em futuros contra a Call vendida. No exercício o vendedor da Call recebe uma posição Short mas já estava protegido sem a necessidade de uma nova operação, na maioria dos casos.
Do lado das Puts ocorre o inverso, seu comprador recebe uma posição Short e para liquidá-la precisa comprar KCU6.
Embora não seja possível afirmar quanto efetivamente será liquidado, mas creio eu que a maioria, o desequilíbrio de 15,3 mil Calls contra apenas 4,0 mil Puts ITM torna o potencial de fluxo vendedor pós-vencimento significativamente maior que o comprador para essa próxima semana.
No Robusta o contrato de novembro (X6) nessa sexta-feira fechou em 3.594 USD/Ton, com máxima de 3.861 e mínima de 3.555 USD/Ton. Rompeu importantes suportes e vai mostrando uma pressão vendedora.
O indicador CEPEA para Conilon 13 acima, tipo 6, mostra os valores oscilando entre R$ 1.049,17 a R$ 1.092,38 por saca no mesmo período. Na sexta-feira fechou em R$ 1.049,17.
No Robusta, o vencimento das opções de setembro (RCU6) ocorre na terça-feira 18.
Considerando o fechamento de sexta-feira em 3.621 USD/Ton e o Open Interest, 3.601 Calls estão ITM contra 4.020 Puts ITM, equilibrado, com apenas 419 contratos a mais pelo lado das Puts.
Caso o mercado encerrasse o vencimento nesse nível, compradores das Calls exercidas receberiam posições Long no RCU6 e poderiam gerar fluxo vendedor ao liquidá-las, enquanto compradores das Puts receberiam posições Short e poderiam gerar fluxo comprador para zerá-las.
Diferentemente do Arábica, o posicionamento atual das opções de Robusta não apresenta um desequilíbrio relevante entre os dois lados, embora o preço ainda possa alterar essa informação até o vencimento na terça-feira 18.
O dólar teve forte valorização nesta semana, fechou a R$ 5,22 contra R$ 5,08 na semana anterior. Influenciado principalmente pela saída de capital estrangeiro do Brasil. A piora da percepção fiscal, as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e o aumento da aversão global ao risco, especialmente com as preocupações no Oriente Médio, pressionaram o Real.
A redução da Selic para 14% também diminuiu marginalmente o diferencial de juros e o atrativo do carry trade brasileiro, embora não tenha sido o principal fator do movimento. A combinação desses fatores levou a uma desvalorização do Real e fortaleceu o USD/BRL ao longo da semana, favorecendo o preço nominal do café brasileiro.
No COT do Arábica os Fundos não comerciais diminuíram em 160 contratos a posição comprada (long) e diminuíram também em 1401 contratos a posição vendida (short).
No COT do Robusta os Fundos Managed Money (specs) diminuíram a posição comprada (long) em -373 contratos e aumentaram 562 contratos a posição vendida (short).
Viajei Franca a Varginha essa semana e fui observando no caminho as lavouras bem desgalhadas, sem folhas, provavelmente não irão produzir nada em 27, talvez sejam podadas ou terão safra zero naturalmente, produziram muito esse ano.
Em contrapartida algumas lavouras novas e lavouras que provavelmente vieram de esqueletamento estão muito promissoras.
Visitei várias empresas em Varginha e o fluxo de negócios está acontecendo, fiquei até muito surpreso com números expressivos de negociações, justamente em uma época em que a informação predominante é de que ninguém está vendendo nada.
Nessa manhã de domingo assisti uma reportagem do Globo Rural, produtores de Conilon relatando quebra de 40% em relação ao ano passado. É uma referência esse número, mas penso eu ser errado avaliar dessa forma a quebra da safra.
Na minha opinião quebra da safra é em relação ao esperado que se produza, e não em relação ao ano anterior, principalmente quando se fala de Arábica que a bienalidade é muito forte.
Por trás dessa consolidação existem forças importantes atuando nos dois sentidos, nada está parado. Essa quantidade de informações contraditórias é que ajuda a explicar o momento atual.
Existe argumento para quem acredita em alta e existe argumento para quem acredita em baixa, mas nenhum deles parece forte o suficiente por enquanto para tirar o mercado dessa consolidação, em algum momento esse equilíbrio será rompido.
Boa semana,
Gustavo Matias
MCT | Matias Coffee Trading
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